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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 148

Capítulo 148

Ezequiel Costa Júnior

Desci os últimos degraus com o telefone já no ouvido.

— Aaron, você vai ficar de olho na casa hoje. — minha voz era direta, sem espaço pra réplica. — Peter e Katy vão circular por aqui, então mantenha tudo em ordem. Se qualquer coisa sair do esperado, me avisa primeiro.

— Entendido, senhor. — ele respondeu do outro lado, com aquela seriedade mecânica de sempre.

Encerrei a ligação, mas mal tive tempo de respirar. Quando virei o corredor, dei de cara com Sara.

Ela estava com os braços cruzados, postura firme, expressão azeda.

— Aaron vai ficar de olho na casa? — a voz dela cortou como navalha. — Eu dou conta sozinha, Don. Sempre dei.

Levantei uma sobrancelha, mantendo o tom frio:

— Está questionando o Don, Sara?

A tensão entre nós ficou mais densa que concreto armado. Ela respirou fundo, contendo a raiva com esforço visível.

— Não questionei nada. — respondeu entre dentes. — Vou subir e cuidar da minha senhora, já que temos um subchefe aqui hoje.

Ela virou as costas com passos duros, desaparecendo escada acima.

Assim que sumiu de vista, ouvi um riso abafado vindo do fundo do corredor. Um dos soldados, tentando disfarçar, quase engasgou com a própria risada. Os outros começaram a rir também, entre cutucões e cochichos.

Girei o rosto devagar em direção ao grupo.

— O que foi?

Um dos rapazes ergueu as mãos, rindo com respeito.

— Nada, chefe... é que... — ele pigarreou — parece que o Aaron tá com sorte dupla, né? A Luciana passou até creme no braço dele hoje cedo. E a Sara... bom... ficou no veneno.

Outro completou, rindo:

— Acho que ela gosta do soldado.

Arqueei as sobrancelhas, surpreso por um segundo — depois comecei a rir também.

— É mesmo?

— Sim, senhor. — o primeiro confirmou. — A Luciana tava toda dengosa, e a Sara nem disfarçou o olhar de fúria. Se o Aaron fosse esperto, já estaria pegando as duas.

— Hm... bom saber. Sara sempre tão profissional— murmurei, ainda sorrindo. — Mas bora pra missão. Eles que resolvam essa novela depois.

Os risos continuaram enquanto caminhávamos em direção aos carros. Mas antes mesmo de alcançarmos os veículos, um carro preto de vidro escuro dobrou a esquina da propriedade. Os seguranças já estavam a postos, mas assim que a placa foi reconhecida, as portas se abriram.

Era Don Antony, e ao lado dele, sua esposa — uma mulher elegante, olhar firme e sorriso educado. Sempre gostei dela.

Alexei e Maria Luíza os receberam primeiro, trocando cumprimentos que misturavam respeito e laços de sangue. Quando me aproximei, Antony abriu um sorriso e me estendeu a mão.

— Ezequiel. Soube do casamento, claro que viria. Parabéns pela conquista. Quem diria que meu papai Noel preferido se daria tão bem?

— Obrigado. Afinal conheci minha noiva graças a você, que me convidou para um natal animado naquela associação — apertei sua mão com firmeza. — Bom ter vocês aqui.

— E também soube dos malditos japoneses rondando de novo. — ele disse em voz baixa, sem perder o sorriso. — Precisa de reforço?

— Sempre. — respondi com um leve aceno.

Alexei se aproximou ainda mais, colocando uma das mãos no bolso do terno impecável.

— Eu também tenho interesse pessoal em acabar com esses olhos chatos. — ele disse com um veneno contido na voz. — Japoneses traiçoeiros. Sempre sorrindo e tramando por trás. Devemos fazer uma aliança maior contra eles. Agora minha filha foi prometida ao americano, mas quero garantir nossa segurança. Quantos mais estiverem mortos, melhor eu durmo.

Antony riu, um riso grave.

— Então estamos todos alinhados. Hora de retribuir a gentileza que nos fizeram lá atrás. Meu pai mandou um abraço. Não poderá vir e ficou com as crianças, mas ele gosta de você como se fosse da família.

Maria Luíza lançou um olhar rápido para nós — preocupada, talvez.

— Eu não vi as crianças de vocês... Eles vieram? — ela logo falou:

— Sim, é que estava um pouco tumultuado e deixamos com a Neide no quarto de hóspedes. Nazar logo chega, e Sofia estava por aqui agora mesmo, já os gêmeos Andrey e Beatrice devem estar dormindo agora.

— Ótimo! Quero vê-los depois.

Suspirei fundo, olhando ao redor. A casa estava cheia. A tensão também.

— Também não vi sua irmã, a Maria Eduarda... Maicon já cumprimentei.

— As crianças não estavam muito bem. Ficaram com Fred e Ivete em casa.

— Que pena.

— Num outro momento ela vem — Malu completou.

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