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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 149

Capítulo 149

Mariana Bazzi

Tudo parecia diferente e igual ao mesmo tempo. Minha mãe aqui comigo, meu pai vivo.

Amir segurava a mão dela com carinho. Cada vez que ele olhava pra minha mãe, seus olhos se suavizavam de um jeito que eu jamais tinha visto. E Safira… ela sorria. Um sorriso real, sem cansaço, sem medo.

Foi nesse clima, quase sagrado, que a porta abriu e Iris entrou.

Assim que ela me viu, o alívio e a emoção tomaram conta do rosto dela. Mas quando os olhos dela encontraram minha mãe, ela parou, estática, como se a imagem fosse um delírio.

— Mãe? — sussurrou, com a voz trêmula.

Safira se levantou devagar e caminhou até ela. Iris desabou no abraço, soluçando feito criança, os dedos apertando o tecido da roupa da minha mãe como se tivesse medo que ela sumisse.

Fiquei com um nó na garganta.

— Eu achei que você tinha... que nunca mais ia te ver — disse Iris, a voz engasgada.

— Eu tô aqui, meu amor... eu tô aqui.

Elas se abraçaram por longos segundos. Amir, ao lado, observava.

Foi então que Iris olhou pra ele, com as bochechas ainda molhadas de choro.

— Você é o pai da Mariana, né? —

Amir assentiu, um sorriso tímido nos lábios.

— Isso mesmo.

— Ainda bem — disse Iris, olhando pra mim com sinceridade. — Fico feliz que o Sidnei não seja seu pai.

Eu sorri. Senti um calor no peito, uma sensação de que, aos poucos, as peças finalmente começavam a se encaixar.

Olhei pros dois — minha mãe e Amir — e percebi o modo como se olhavam, como o mundo parecia sumir ao redor deles.

— Vocês querem um tempo, né? — falei, me levantando com um meio sorriso. — Eu e a Iris vamos sair um pouco.

Safira riu, corando levemente. Amir segurou a mão dela mais forte.

— A gente já volta — disse ele, quase como um adolescente envergonhado.

— Se trancarem a porta, a gente vai saber por quê — provoquei, e Iris deu uma gargalhada cúmplice.

Saímos e nos sentamos na varanda lateral da casa. O sol já se punha, e uma brisa leve mexia os galhos do jardim.

Iris ainda estava com os olhos marejados.

— Eu me sinto... deslocada — confessou, encarando o céu. — Descobri que a Safira não é minha mãe, que você não é minha irmã de sangue... parece que tudo que eu era, não sou mais. Soraya me contou por telefone.

— Ei — falei, pegando sua mão. — Sangue não é o que faz alguém ser irmão. Você é minha irmã, Iris. E não é de agora, é de sempre.

Ela me olhou, emocionada, e assentiu devagar.

— Obrigada por isso.

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