Capítulo 151
Mariana Bazzi
Levar Iris até as mulheres da máfia Strondda parecia a coisa certa a se fazer. Depois da avalanche de emoções com minha mãe, Amir, e todas as revelações que ainda estavam se assentando no meu peito, eu precisava reconectar com aquelas que sempre estiveram ligadas ao mundo da máfia. E Iris… bom, ela precisava conhecer mais desse meio.
— Vem, vou te apresentar umas pessoas — disse, puxando Iris pela mão.
— Quem?
— Mulheres que você provavelmente não gostaria de enfrentar nem em sonho. Mas que, por sorte, estão do nosso lado.
Descemos por um dos corredores da casa até a ala lateral, onde algumas convidadas importantes estavam hospedadas. A atmosfera era diferente por lá: silenciosa, firme, com um tipo de energia que só quem já viveu muito perigo saberia reconhecer. Bati na porta com leveza antes de entrar.
Assim que cruzamos a soleira, olhares atentos se voltaram para nós — e nenhum deles era apenas cordial. Eram olhares de quem mede, avalia, e então decide se você é ameaça ou aliada.
— Perdão por não estar com vocês mais cedo — comecei, firme, mas com respeito. — Imagino que já saibam que meu pai está vivo. Eu mesma descobri há pouco tempo. — Senti Iris se encolher levemente ao meu lado. — Mas agora que tudo está se acertando, achei que poderíamos finalmente fazer algo interessante juntas.
Fabiana, a dama da máfia Strondda, se levantou com a elegância fria de quem comanda um império.
— Mariana — ela disse, com a voz firme, mas com uma ponta de calor. — É uma honra estar aqui. Sabemos o quanto esse momento significa. Ainda mais quando se escolhe o marido. Isso é maravilhoso.
Ela se aproximou e me abraçou com uma formalidade afetuosa, depois olhou para Iris com curiosidade.
— E essa moça bonita?
— Iris. Minha irmã. Alguém com muito potencial — sorri, e Iris tentou disfarçar o nervosismo com um aceno rápido.
— Hm, muito bom! — Fabiana assentiu, e voltou para seu lugar com a postura de sempre: impecável.
Cumprimentei direito a Katy, que até então não havia conversado adequadamente.
— Como está querida? Bem hospedada? Meu Deus, mal chegaram e essa casa estava uma loucura, não é?
— Não, já estamos acostumados. Na Itália é assim o tempo todo.
— Sinta-se em casa. Todas vocês.
Foi então que vi Malu Kim se aproximando. Malu estava com um vestido floral leve, contrastando com o ar sóbrio da sala — uma mulher que exalava delicadeza até quando poderia ser mortal.
— Mariana! — disse ela com um sorriso largo, me abraçando com carinho. — Você está radiante. Eu quase chorei ao saber sobre Amir. Parabéns, de verdade. Laura me falou um sobre você.
— Obrigada — retribuí o sorriso, sentindo de novo aquele calor no peito. — E você... tá linda. Cadê os gêmeos?
— Estão com a Neide, já estão vindo.
— Estou louca para conhecer.
Foi quando uma criaturinha surgiu atrás dela. Cabelinhos muito claros levemente bagunçados, olhos azuis, um vestidinho rosa e um olhar observador demais para os seus cinco anos, acredito. Sofia, a filha mais velha de Malu.
— Você é a moça que vai casar? — perguntou, parando bem na minha frente com as mãozinhas na cintura.
— Sou eu, sim — sorri para ela, me abaixando até sua altura. — Você gosta de casamentos?
Ela pensou um pouco.
— Gosto da comida. Mas não gosto de quando as pessoas se beijam. É nojento. E todo mundo chora, acho que ninguém fica feliz com isso — disse com toda a honestidade do mundo.
Iris soltou uma gargalhada e Malu cobriu os olhos, rindo de nervoso.
— Sofia! — sussurrou, puxando a menina pelo braço. — Desculpa, ela anda muito sincera ultimamente.
— Não, imagina! — respondi, ainda sorrindo. — Ela só tá falando a verdade. É bem nojento mesmo — brinquei, piscando para Sofia, que sorriu satisfeita.
Fabiana observava tudo com aquele ar de quem se deixa emocionar fácil, não pude deixar de notar o canto de sua boca se curvando num sorriso. Até ela reconhecia a graça da situação. Sofia é uma graça.
Katy gargalhava vendo a pequena tão linda.
— Bom — falei, me levantando. — Agora que todos estão reunidos, pensei que amanhã poderíamos começar um treino. Armas, combate, estratégias. Nada como um pouco de ação pra unir mais ainda as nossas forças.

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