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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 153

Capítulo 153

Sara

Ele não veio, mas ele vai vir pro meu quarto. Vai sim.

Eu repeti isso tantas vezes que já nem sei mais se acreditava ou só tentava me convencer. Já era noite, e cada minuto parecia uma eternidade. Aaron me mandou embora com raiva, mas ele me quer. Sempre quer, e eu o quero. Ele só está fazendo charme.

Abri a gaveta mais funda. Aquela que eu quase nunca mexia — só quando queria me sentir poderosa. Vasculhei por entre as rendas, cetins e sedas até achar o conjunto perfeito. Preto, com detalhes em dourado, aquele que realçava cada maldita curva do meu corpo. Peguei também o baby doll curto, o mais transparente, aquele que ele vai ficar louco ao ver.

— Ele vai vir… — falei em voz baixa, encarando meu reflexo no espelho.

Soltei os cabelos, deixando-os cair em ondas sobre os ombros. Coloquei uma maquiagem leve, só pra dar destaque aos olhos, aos lábios… à intenção. Caminhei de um lado pro outro do quarto antes de me jogar sobre a cama, ajeitando o baby doll sobre as coxas, me posicionando de um jeito que sabia que ele não resistiria ao abrir a porta.

Esperei, deitei, mudei de posição. Esperei mais.

O relógio parecia me insultar com cada segundo que passava.

— Ele falou que não viria… — murmurei, mordendo o lábio com raiva. — Mas que droga! Foda-se, se ele não vai vir, vou até ele.

Não aguentei mais. Me levantei, respirei fundo e decidi. Nem que fosse só pra perguntar se ele queria uma água, uma desculpa qualquer. Porque aquele baby doll não ia ficar sem uso essa noite. Me cobriu com um casaco e fui.

Atravessei os corredores em silêncio, sentindo o frio do chão subir pelas pernas. Cada passo era uma mistura de orgulho ferido e desejo incontrolável. Bati de leve na porta do quarto dele, uma vez. Nenhuma resposta. Girei a maçaneta.

Vazio.

— Hm… — murmurei, entrando. A luz baixa deixava o ambiente com um ar mais íntimo do que imaginei. E diferente do que eu vivia dizendo… o quarto dele estava limpo. Organizado. Até demais.

Fechei a porta devagar, como se estivesse entrando em um lugar proibido. Caminhei até a cama e sentei, tocando o lençol. Estava esticado, cheiroso, sem sinal de bagunça. Me deitei devagar, tirei o casaco e deixei sobre o criado, fui abrindo um pouco o baby doll sobre o peito, me ajeitando do jeito que sabia que o deixava louco.

— Vai entrar… Vai me ver assim e esquecer qualquer raiva — sussurrei, me convencendo.

Mas o que veio depois foi um choque.

A maçaneta girou. Me ajeitei, pronta pra seduzir, com aquele meio sorriso nos lábios. Mas quando a porta se abriu, o ar saiu do meu corpo como se tivesse levado um soco no estômago.

Aaron entrou. Com Íris, irmã da Mariana.

Os dois rindo de algo que só eles sabiam. E então ele me viu, deitada na cama dele. Com o baby doll aberto.

O sorriso sumiu do rosto dele no mesmo segundo.

— Aaron… — minha voz falhou, e puxei o tecido, fechando-o com pressa enquanto me levantava.

O olhar dele queimava. Mas não era só desejo. Era frustração, raiva. Talvez… decepção?

Íris ficou imóvel, surpresa, depois cruzou os braços, confusa.

— Eu… eu só estava… — tentei dizer, mas nem sabia o quê.

Aaron cruzou os braços e soltou um riso seco.

— Eu… eu… — minha voz vacilou, morrendo antes de formar qualquer desculpa aceitável.

Aaron me olhava como se mal me reconhecesse. Íris, parada ao lado dele, cruzou os braços, perplexa. Depois de alguns segundos de silêncio insuportável, ela falou, com uma calma irritante:

— Olha… amanhã a gente resolve. Não sabia que você tava namorando, Aaron. Se soubesse, não teria vindo no seu quarto.

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