Capítulo 155
Sara
Eu ainda estava deitada, tentando entender o que tinha acabado de acontecer. A frieza dele. A forma como as palavras saíram como ordens e não como explicações. Me senti descartada, excluída. Como se o tempo que passamos aqui, juntos, tivesse sido... nada.
Olhei para o lado e vi Aaron em pé, vestindo a camisa com a calma de quem já tinha tomado uma decisão muito antes de me avisar.
Aquilo me corroía por dentro. Eu pensei que fosse isso que ele queria. Pensei que estávamos indo pra algo mais sério. Uma parceria, uma confiança, mas agora ele simplesmente me manda embora?
Levantei, sentindo o calor da indignação subir pelas minhas bochechas.
— Então é isso? Vai me descartar como se eu fosse qualquer uma? — cuspi as palavras, segurando a raiva como podia. — Vai correr atrás da Íris agora, é isso? Só porque é irmã da chefe? Ou talvez da Lúciana? Vai fazer politicagem com a sua… cama?
Ele virou o rosto, mas seus olhos estavam gelados quando me encararam.
— Sara, não interessa o que eu vou fazer. — a voz dele era firme, impassível. — Você vai ter que me provar que merece a minha confiança. Se eu ouvir qualquer comentário desagradável… esquece.
Foi como se ele tivesse me dado um tapa.
Meus olhos arderam e não era tristeza. Era raiva.
— Sério isso? — perguntei, mordendo o lábio inferior para não gritar.
Levantei da cama bruscamente e comecei a vestir minha roupa com movimentos secos. Cada peça era um golpe.
Atrás de mim, ele se moveu, como uma sombra sempre presente.
— Se eu souber que esteve com outro, você morre. Está me ouvindo? — a voz dele agora estava mais baixa, mas ameaçadora. — Porque você concordou comigo.
Parei, ainda de costas para ele, as mãos trêmulas enquanto terminava de ajustar meu baby Doll.
Me virei devagar, o olhar cravado nos olhos dele.
— Ah, e daí você vai atrás das outras e eu não posso? É isso?
Ele ergueu uma sobrancelha, sem mudar o tom:
— Eu não disse isso. Só quero ter certeza que posso confiar em você. Da outra vez que estivemos juntos me deixou bem claro que só queria sexo. Me fez me vestir em segundos, e me expulsou do quarto como se tivesse invadido. Me senti um lixo, Sara. Depois veio com aquela conversa que qualquer soldado mataria pra comer você... Me poupe!
— Eu já disse que podemos fazer diferente.
— É, só que agora prefiro me certificar que posso confiar. — Ele deu dois passos para trás, como se encerrasse ali a conversa.
— Boa noite... — murmurou.
Fiquei ali, parada, com a respiração pesada, o peito queimando.
Boa noite?
Boa noite era o caralho.
Não respondi. Peguei meus sapatos, virei as costas e saí, batendo a porta com tanta força que ouvi algo cair lá dentro.
E que caísse.
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