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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 156

Capítulo 156

Ezequiel Costa Júnior

O dia do meu casamento com Mariana chegou. O salão inteiro cheirava a flor cara, e o brilho dos lustres refletia nos copos de cristal com arrogância. Eu não economizei em nada. Era o mínimo que Mariana merecia.

Estava tudo fechado exclusivamente para nós. Segurança reforçada, entrada controlada, convidados checados duas vezes. Isso não era só uma cerimônia. Era um evento que marcaria meu nome entre os grandes. E mais importante: era o começo da minha vida ao lado da mulher que me fez querer algo além da guerra.

Meu olhar varria o salão como se cada detalhe precisasse da minha aprovação final.

À direita, perto da porta principal, vi El Chapo que chegou logo cedo com Débora. Estavam conversando baixo, como se cada palavra tivesse peso de segredo. Ela estava elegante, como sempre, e mantinha aquele ar de nobreza perigosa, que só mulheres como ela sabiam usar.

Do lado oposto, à esquerda, estava Peter com a Katy. Ele parecia desconfiado como sempre, mas mantinha um sorriso discreto nos lábios. Katy estava animada, observando os arranjos de mesa, provavelmente pensando mentalmente no floral, mas tentando não demonstrar.

Don Antony entrou com Fabiana, Laura e Alex. Se posicionou perto de El Chapo, em silêncio. Quase não se movia, mas sua presença era forte o suficiente para fazer metade da máfia se endireitar na cadeira. Era respeitado, temido. E mesmo assim… ali por mim. Isso significava algo.

A máfia Zion Triade estava quase toda presente, espalhada pelas mesas, conversando em murmúrios contidos. Meus olhos pararam em algo que me pegou de surpresa:

Soraya.

A irmã postiça da Mariana. Eu não fazia ideia de que tinha sido convidada — ou se apareceu por conta própria. Estava sentada calmamente ao lado da Íris, outra irmã dela, por isso deixaram entrar. As duas conversavam com discrição, mas me vi apertando os punhos. Não pela presença delas, mas pelo que poderiam causar na festa. Só que se estão aqui, é porque Mariana convidou, então respeito isso.

Hoje não haverá espaço pra drama nenhum.

Meu olhar seguiu para a área da frente, próxima à mesa do juiz de paz.

Ali, Don Alexei Kim estava com Maria Luíza e as crianças — os gêmeos e a pequena Sofia. Estavam impecavelmente vestidos, e por um momento, a cena parecia saída de uma pintura. Apesar de todo o poder que exalava, Alexei mantinha uma mão sobre o ombro de Malu de forma quase protetora. Perto deles, Neide e o sempre calculado Nazar, Consigliere do Don, conversavam em voz baixa, atentos a tudo.

Maicon circulava o perímetro com o Mauro, Aaron e os meus outros homens de confiança. Era um casamento, sim. Mas também era território lotado de criminosos com egos inflados e segredos mal enterrados. Nenhuma arma foi permitida, mas eu sabia que pelo menos uns dez estavam armados do mesmo jeito, assim como eu.

Eu coloquei um ponto de comunicação no ouvido por precaução.

Na lateral do salão, perto da entrada de trás, Sara estava com Mariana, junto dos pais dela. A mãe parecia emocionada, o pai tentava esconder as lágrimas — mas era um fracasso nisso. E Mariana…

Meu coração disparou só de pensar que ela estava a segundos de entrar.

Fiquei parado, ajustando os punhos da camisa sob o terno impecável. A gravata parecia apertar mais a cada segundo. Não era nervosismo, mas o momento estava chegando.

O salão silenciou quando os músicos mudaram a melodia.

O juiz se posicionou.

Todos os olhares se voltaram para o corredor principal.

E eu… respirei fundo, e então ela apareceu.

Os portões internos se abriram lentamente, e Mariana surgiu, de braços dados com os pais — a mãe à direita, o pai à esquerda. Não houve suspiro. Não houve murmúrio. O salão inteiro parou, como se o mundo tivesse congelado em reverência à imagem que se aproximava.

Ela estava… inacreditável.

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