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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 157

Capítulo 157

Ezequiel Costa Júnior

A felicidade durou exatamente trinta segundos depois do beijo.

O primeiro tiro estourou como uma martelada nos vidros da entrada lateral. Meu corpo reagiu antes do cérebro. Girei Mariana com força, protegendo-a atrás de mim, ao mesmo tempo em que sacava minha arma. O estampido dos disparos ricocheteou nas paredes do salão enquanto a merda se espalhava.

Homens de roupa cinza surgiram pelas portas laterais e pelo fundo do salão. Uniformes de “empresa”, disfarçados como funcionários da chácara, mas os movimentos não deixavam dúvidas: eram soldados, mercenários, profissionais. Entraram atirando em rajadas curtas, mas certeiras. Tentavam fazer um massacre — só que erraram o lugar.

Porque não era um casamento comum. Era uma reunião das três maiores famílias do submundo.

Antes que qualquer convidado sequer gritasse, o que se ouviu foi o som de dezenas de travas de segurança sendo desativadas.

Alexei Kim foi o primeiro a levantar da cadeira, arma em punho, disparando sem hesitar em direção a dois homens que entravam pelo corredor de serviço. Nazar apareceu ao lado dele como um vulto, com duas pistolas automáticas, atirando com precisão. Cada tiro dele derrubava um invasor. Maria Luíza protegia os gêmeos com o próprio corpo e uma pistola 9 milímetros enquanto Neide erguia uma Glock de dentro da clutch rosa e atirava sem piscar.

Do lado oposto, El Chapo virou a mesa com um chute, se agachou atrás e puxou Débora junto. Os dois começaram a disparar com sincronia, como se treinassem juntos há anos. Peter e Katy se moveram rápido, protegendo os cantos e limpando caminho para os mais velhos. Antony ergueu a própria Taurus e Fabiana puxou uma bengala que estava encostada ao lado — que na verdade era uma escopeta disfarçada — entregou a Antony que detonou dois dos homens com um só disparo, fazendo um estrondo.

Laura surgiu andando agachada com o Alex no meio dos convidados, atirando em quem ousasse mirar para um dos nossos.

Mas o que ninguém esperava foi ela.

Mariana, a noiva, minha mulher.

Enquanto eu atirava na direção de um invasor que tentava escalar o altar, ela se afastou de mim num movimento ágil, e puxou — de dentro do vestido de noiva — uma pistola compacta, escondida na liga da coxa. E como se isso não bastasse, duas pequenas facas surgiram nas mãos dela, vindas das meias.

E ela… começou a correr e arremessar.

Uma faca cravou-se na garganta de um homem que surgia por trás das mesas. Ele caiu sem som, apenas com o sangue pintando o chão de mármore branco. A segunda faca girou no ar e acertou o ombro de outro atirador, desestabilizando-o o suficiente para que Fabiana — sim, Fabiana — acertasse um tiro certeiro no rosto dele. Laura estava protegendo algumas crianças com Alex, de joelhos ao lado da mesa, mantendo eles seguros.

Eu gritei: — Protejam os nossos! Tirem as crianças!

Mauro respondeu no rádio:

— Já estamos com elas. Saindo pela entrada da cozinha. Aaron comigo!

Um dos invasores se virou para mim, mas antes que apertasse o gatilho, Mariana saltou sobre uma mesa, deslizou com o vestido com o movimento, e atirou no homem no ar — em pleno salto.

Ela caiu no chão ajoelhada, girou o corpo e disparou mais duas vezes.

Eu não sabia se protegia ela ou se só assistia. Mas eu lutei. Atirei em três homens que vinham pela entrada do buffet, derrubei dois, o terceiro tentou correr — mas foi atingido por um tiro vindo do alto.

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