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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 158

Capítulo 158

Ezequiel Costa Júnior

Ainda dava pra ouvir os estalos dos estilhaços sob os pés, os alarmes ao fundo, e alguns gemidos abafados. Tudo destruído, mas eu não estava nem perto de baixar a arma.

Meus olhos vasculharam o salão. Antony arrastava um dos desgraçados pelo colarinho, manchando o chão com o rastro de sangue. Mauro vinha do outro lado, puxando outro invasor pela perna. A cara dele parecia ter passado por uma britadeira.

Caminhei até o centro do salão, ainda com a pistola em punho. Parei diante dos dois. O sangue escorria dos cortes, e um deles cuspia vermelho a cada respiração. Mas estavam vivos, por enquanto.

— Que merda planejavam?

Nenhum dos dois respondeu. Então Mauro acertou um chute seco na costela de um deles, e Antony pressionou a cabeça do outro contra o chão com o joelho.

Ainda nada.

Apontei a arma pro rosto do que parecia estar mais consciente.

— Só vou perguntar uma vez ou vou pintar o tapete novo com seu cérebro. Quem mandou vocês?

Ele me encarou com um olho inchado, tentando fazer pose de durão.

Então dei um passo, mirei bem entre os olhos… e chutei o joelho dele com força. O estalo foi seco, e o grito dele, feio.

— Tarde demais... — atirei matando o infeliz.

O outro ainda tentou resistir. Então Mariana se aproximou por trás de mim, ainda com a pistola compacta na mão, e apontou pra ele.

Virei o rosto do cara com um puxão, enfiei o cano da arma na boca dele, empurrando até bater nos dentes do fundo.

— Vamos ver se agora você conta. — rosnei. — Antes que eu te faça engolir isso como sobremesa.

Com um olhar desesperado, ele assentiu e tentou falar. Tirei a arma só o suficiente.

— Sidnei! Foi o Sidnei! Ele contratou a gente! Ele mandou invadir, matar todo mundo e levar Mariana, Iris e Safira!

Meu estômago virou. Sidnei, aquele verme. Já viveu demais nessa terra. Senti Mariana se enrijecer ao meu lado.

Antes que eu pudesse perguntar mais, Mariana virou o rosto com o olhar gélido, e falou alto, firme:

— Prendam a Soraya!

Todos pararam por um segundo. Alguns se entreolharam, incrédulos.

Aaron começou a se mover.

— Deixa comigo…

— Mariana? — falei, confuso.

Ela não hesitou.

— Ela era a única que sabia onde seria o casamento, não dei o endereço pra Iris porque veio com a gente. Essa localização era segredo absoluto. Se os homens do Sidnei sabiam… foi porque ela contou.

Aaron já ia se mover quando Mariana levantou a mão, sem sequer olhar pra ele.

— Não você.

— Então quem? — Aaron perguntou, engolindo em seco.

Mariana sorriu de lado.

— É Avelar que vai cuidar disso.

Avelar — o soldado que mais fede a sovaco do planeta — surgiu do fundo do salão com uma cara de quem tinha entendido tudo. O cheiro dele chegou antes do corpo. Ele caminhou com calma, com as mãos nos bolsos, como quem vai comprar pão.

— Vai lá — falei. — Mas sem violência até segunda ordem.

— Alguma ordem específica? — ele perguntou, já animado.

Olhei pra Mari, ela entendeu.

— Coloque Soraya pra limpar o galpão de tortura..., mas certifique-se que ela faça isso de joelhos.

— Exato — confirmei.

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