Capítulo 159
Mariana Bazzi
O vestido caiu pelas minhas costas como seda morna. O toque de Ezequiel era fogo e gelo ao mesmo tempo. Quando ele deslizou as mãos pelo meu corpo, meus músculos reagiram antes da minha mente. Me arrepiei. Me entreguei, mesmo que por segundos. Senti os dedos dele subirem e segurarem meu seio com carinho e domínio que só ele sabia dosar.
Fechei os olhos, meu corpo quase se rendendo ali mesmo.
Mas então, três batidas suaves ecoaram pela porta.
— Dona Mariana? — a voz de Sara cortou o clima como um balde de água fria. — Todos já estão reunidos no outro salão…
Soltei o ar, meio rindo, meio frustrada.
— É melhor a gente ir — falei, pegando leve no ombro dele pra afastá-lo um pouco.
Ezequiel encostou a testa na minha, rindo baixo. A respiração dele era quente contra minha pele.
— Depois você não me escapa… — sussurrou, com aquela voz rouca que faz qualquer juízo vacilar.
Me virei, tentando ignorar a vontade de ficar ali e esquecer o mundo. Ele me ajudou a vestir o segundo vestido — mais leve, mais solto, ainda elegante. Digno de uma festa, mesmo depois de uma invasão.
O tecido abraçava meu corpo de um jeito confortável. Ezequiel ajeitou meu cabelo com delicadeza, e antes de sairmos, roubou mais um beijo meu. Lento, intenso, promissor.
Descemos juntos, de mãos dadas, como se nada tivesse acontecido há pouco. O salão de festas parecia outro mundo. Luzes suaves, música de fundo, sorrisos que escondiam o perigo recente.
Ao entrarmos, os olhares se voltaram para nós. Teve aplauso, gente emocionada, brinde. O vestido novo balançava levemente enquanto caminhava, e eu sorri. Era o momento mais especial da minha vida.
A recepção foi mais leve do que eu esperava. Sara havia cuidado de tudo. Os garçons estavam impecáveis, as flores intactas. O caos não tinha conseguido derrubar o que era essencial.
As fotos começaram. Eu e Ezequiel ríamos, trocando olhares cúmplices entre um clique e outro. Teve até uma pose onde ele segurou meu rosto como se fosse me beijar, mas parou milímetros antes. O fotógrafo adorou, eu quase desmaiei.
O jantar veio a seguir. Risos, conversas. Um pouco de vinho, mas com cautela. Antony, Iris e Alex passaram por nós com taças nas mãos, aliviados. Aaron, mesmo tenso, parecia se permitir relaxar. Vi Avelar de longe. Só ele conseguiu me lembrar que a Soraya ainda existia — e que a noite ainda terminaria com verdades sendo arrancadas.
Mas não era hora pra isso. Era hora da dança.
A primeira música tocou, suave, envolvente. Ezequiel estendeu a mão pra mim, eu aceitei. No centro da pista, sob as luzes douradas, ele me puxou pra perto e começou a guiar meus passos.
— Você tá linda — sussurrou no meu ouvido.
Encostei o rosto no ombro dele.
— Você também. Mesmo com cheiro de pólvora.
Ele riu.
A dança virou brincadeira. Depois vieram os amigos, os brindes, os pulos fora do ritmo e as piadas bobas. Em algum momento, Ezequiel me rodopiou com força e eu quase caí, mas segurei no pescoço dele e rimos juntos.
Alexei estava de pé ao fundo, com uma expressão sóbria, mas com os olhos fixos em Malu, que balançava um dos gêmeos no colo.
Sofia, claro, estava no centro da confusão.

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