Capítulo 160
Ezequiel Costa Júnior
A noite de núpcias
O vento do deserto soprava quente, mas com uma tranquilidade que parecia só existir ali. As dunas ao longe eram banhadas por uma luz dourada, como se o próprio sol se curvasse àquela noite. Estávamos a menos de duas horas de casa, mas parecia outro mundo — uma bolha secreta que preparei só para ela. Um presente silencioso depois de tudo.
O lugar era simples e luxuoso ao mesmo tempo. Uma construção de pedra clara, embutida nas encostas, com janelas largas que davam vista para o mar de areia e céu estrelado. As tochas acesas ao redor balançavam com o vento, projetando sombras suaves nas paredes. No centro do terraço, uma banheira escavada na rocha borbulhava com água quente e aromas de jasmim. Velas acesas formavam um caminho suave até lá.
Mariana tirou os sapatos assim que descemos do jipe e pisou descalça na pedra morna.
— Onde você me trouxe? — ela perguntou, com aquele olhar desconfiado e curioso que eu adorava.
— Um lugar onde ninguém vai nos chamar. Nem Sara, nem Alexei, nem mesmo Antony, nem tiros, nem traidores... — Me aproximei por trás, segurei sua cintura e murmurei junto ao seu ouvido: — Um lugar onde você é só minha. Finalmente.
— Mas eles ficaram na casa?
— Sim. Ficaram para investigar toda a trama do nosso casamento. Cuidarão de Soraya, e farão o que puderem fazer até nós voltarmos para a casa. Mas eles não vão nos incomodar. Sara e Aaron darão assistência a eles.
— Hm.
Ela virou o rosto devagar. O vestido leve balançava com o vento. Os olhos castanhos estavam suaves, mas alertas. Mariana nunca baixava a guarda por completo.
— E se nos acharem? — ela provocou, sussurrando.
— Eles não ousariam — respondi, puxando devagar a fita que prendia seus cabelos. — Não esta noite.
Soltei seus fios longos e escuros, deixando o vento brincar com eles. Ela se virou totalmente para mim. Não havia música, só o som do vento e do nosso silêncio. Meu pau já doía de vontade antes mesmo de encostá-la.
Beijei sua boca com calma, como se estivéssemos dançando. Nada urgente. Só o desejo dos dias contidos, das noites interrompidas, dos beijos cortados por ordens, tiros, fugas.
Ela me puxou pela camisa, e riu quando o botão escapou com facilidade. Sua risada era um raio de luz no meio da areia.

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