Capítulo 164
Sara
Saí do armazém com os joelhos esfolados, a carne ardendo a cada passo, os músculos das coxas reclamando da intensidade do que acabou de acontecer. Mas nem toda a dor do mundo conseguiria apagar o sorriso de satisfação estampado no meu rosto. Um sorriso vitorioso. Um sorriso de quem venceu no próprio jogo.
Passei a mão pelo cabelo tentando dar algum jeito na bagunça, puxei a blusa mais pra baixo e me ajeitei. As marcas das mãos de Aaron ainda queimavam na minha pele — e eu as usava como troféus. Cada uma delas.
Foi então que vi Iris no corredor. Encostada na parede, braços cruzados, tentando fingir desdém, mas a mandíbula contraída denunciava tudo. A raiva, a derrota.
Parei de propósito. Estiquei a coluna, e caminhei mais devagar, como uma gata que acabava de devorar o creme preferido de alguém.
— Algum problema, querida? — perguntei, mantendo o tom doce, debochado.
Ela me encarou. E aí, mostrou o dedo do meio. Com tanta força que quase pareceu um pedido de socorro disfarçado.
Sorri mais.
"Já sabe", pensei. “Agora ela sabe que ele é meu.”
Continuei andando e sorrindo a toa, sem dar o gostinho de outra resposta. O importante mesmo era o que vinha agora. Entrei no galpão onde a equipe Strondda mantinha Soraya. A tensão ali tinha cheiro de suor, produto de limpeza barato.
Soraya estava ajoelhada no chão, com uma escova de dente nas mãos. As unhas descascadas, os joelhos cobertos de sangue e sujeira. O cabelo desgrenhado grudava na testa suada. Seu rosto, antes tão arrogante, agora era só cansaço.
Mas não consegui sentir pena.
— Vai mais forte, princesa — Antony disse, passando por ela com uma garrafa de água na mão. Nem ofereceu. — Queria brincar de espionagem? Agora limpa o chão como quem ama ele.
Encostei numa das colunas, observando a cena enquanto esticava os braços. Minha pele ainda ardia debaixo da roupa. Ardia, mas valia.
Foi quando ouvi a conversa do outro lado, entre Peter, Alex e Antony.
— Essa idiota é ambiciosa e burra — Antony soltou. — Se deixou levar pelo Sidnei. Mas pelo visto, pensou que Ezequiel estivesse vulnerável sem reforços, não imaginou que invadiriam o casamento armados e fossem rechaçados, pensou que o pai quisesse ou pudesse comparecer, tola.
Peter bufou:
— O cara já tava ameaçando ela. É tão burra assim?

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