Capítulo 166
Mariana Bazzi
Voltamos do deserto, e de vez em quando, Ezequiel me lançava aquele olhar de quem estava mais tranquilo depois de ter me devorado a noite e o dia inteiro.
Eu não queria quebrar o encanto daquele dia perfeito, mas assim que entramos pelos portões da propriedade, Antony já nos esperava na entrada da casa principal, com o celular na mão e a expressão mais tensa do que o clima merecia.
— Alguma coisa? — Ezequiel foi direto.
— Temos novidades — ele respondeu. — Maicon conseguiu rastrear o sinal de Sidnei. Está se movimentando de novo. Aparentemente, está deixando o esconderijo que usava nas últimas semanas.
— E isso significa? — perguntei, me aproximando.
— Que em breve, a gente vai encontrar ele. Talvez horas, ou até... minutos.
Ezequiel assentiu devagar, mas eu vi os olhos dele ganharem aquele brilho sombrio. O nome de Sidnei era suficiente pra acabar com qualquer serenidade, e saber que estamos tão perto, com certeza motivou.
Toquei seu braço e disse com calma:
— Vou ver meus pais. Estavam no jardim mais cedo. Aviso se demorar.
Ele me olhou por um segundo mais longo, como se quisesse dizer mil coisas, mas resumiu tudo num gesto: puxou minha mão, beijou meus dedos e disse:
— Vai meu anjo.
Assenti com um sorriso e segui em direção ao jardim.
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Encontrei meus pais sentados lado a lado no banco de pedra sob a sombra das jabuticabeiras. Amir lia alguma coisa no celular enquanto Safira parecia perdida nos próprios pensamentos, as mãos cruzadas no colo, o ouvindo.
— Filha! — Safira se levantou assim que me viu, me puxando para um abraço apertado. — Estava mesmo querendo te ver.
— Tudo bem por aqui? — perguntei, beijando o rosto dela. Depois cumprimentei meu pai.
— Sim, amor. Só... estava pensando na Iris. Ela voltou pra casa hoje de manhã. Tá meio cabisbaixa. Eu e seu pai achamos que teve algum problema com a Sara. Talvez por causa daquele soldado… o Aaron.
Minha expressão se fechou.
— Aaron? O que ele tem a ver com isso?
— Não sabemos direito, mas a Iris parecia nervosa, meio confusa. Fiquei preocupada, porque na verdade, ela comentou que achou o Avelar lindo e agora não entendi nada.
— Coitada, é complicado o cheiro do Avelar, mas é um bom homem. Não acho que teve problemas com a Sara pelo Aaron. Ela não vê nada nele. Bom! Quer ir comigo visitá-la? Ou não quer mais entrar naquela casa? — perguntei, sentindo um incômodo na lembrança do que passamos lá.
Safira ergueu o queixo com firmeza.
— Não, eu faço questão de entrar lá pela porta da frente. Aquela casa também é minha, nossa. Inclusive… estou pensando em ficar lá com o Amir e a Iris. Você já tem sua vida aqui, Mariana. E Iris é solteira, é como uma filha pra mim, também. Posso mudar aquele lugar. Trocar as fechaduras, colocar segurança. Reformar tudo.
Sorri, aliviada.
— Que bom. Então vamos lá.
— Vamos — Amir concordou, se levantando também. — Tenho dinheiro guardado. Se quiser reformar, ótimo. Se quiser outra casa, a gente compra.
Safira respirou fundo e disse, com o olhar firme:
— Bom, vamos lá ver como me sinto na casa agora.
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Antes de sair, fui até o escritório de Ezequiel. Ele estava com Antony e mais dois homens, analisando uma tela cheia de marcações de satélite.
— Amor? — chamei da porta.
Ele se virou na hora, a expressão suavizando quando me viu.
— Estamos indo visitar a Iris — avisei. — Meus pais vão comigo.
— Certo. Vou mandar uma equipe com vocês.
— Ezequiel... — toquei seu ombro. — Tá tudo bem?
— Ainda não está, mas vai ficar — ele disse, depois se virou para o rádio no bolso. — Aaron, escolhe quatro homens bons. Fiquem perto da Mariana, discretos, mas alerta.
— Pode deixar.
Ezequiel me puxou pela cintura, me deu um beijo na boca e murmurou no meu ouvido:
— Se algo parecer errado, avisa.

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