Capítulo 167
Ezequiel Costa Júnior
A sala estava em completo silêncio. Apenas o som dos teclados sendo pressionados, o bip dos computadores e os estalos das cadeiras girando quando alguém mudava de posição. Eu observava cada tela com atenção, os olhos fixos no mapa digital onde o sinal de Sidnei aparecia intermitente.
Maicon, debruçado sobre dois monitores, tinha o cenho franzido e as pupilas dilatadas — estava concentrado demais. O tipo de concentração que, normalmente, antecede merda.
— Alguma atualização? — perguntei, seco.
— Estamos perto, acho que quase — respondeu sem me encarar. — Ele ativou algum dispositivo nos últimos trinta minutos. Talvez um celular ou rádio. O rastreamento ficou mais claro.
Antony, ao meu lado, rosnou:
— Ele é burro o suficiente pra achar que ninguém mais rastreia satélite? Como esse cara fez tanta merda até agora?
— Não estava sozinho — comentei — Ele sempre teve gente grande ao lado dele. Terei mais carniça para caçar.
Maicon ergueu um dedo no ar.
— Achamos! Temos um ponto fixo. Um endereço. Estou jogando na tela principal.
Levantei ansioso da cadeira. Fiquei com os olhos fixos, conheço tudo por aqui como a palma da mão.
A imagem apareceu à nossa frente. Um mapa aéreo. Um ponto vermelho piscando com força.
E, no instante em que li o endereço, meu corpo inteiro se tensionou. O sangue gelou.
— Não... — murmurei, me erguendo num pulo. — Não, não, não!
Todos viraram ao mesmo tempo.
— Que foi?! — Antony perguntou, já puxando o rádio.
— É a casa da Iris. — Minha voz saiu entre dentes. — É onde a Mariana foi com os pais nesse exato momento!
Eu nem terminei a frase. Estava gritando pelos corredores, organizando tudo.
— Dois carros comigo, agora! Quero helicóptero sobrevoando a zona Leste, motos, e carros de soldados a volta. Se Sidnei sair dali, eu quero ver até o tipo de cigarro que ele fuma! Aaron, contato visual com todos os homens da região!
Maicon levantou abruptamente, falando rápido:
— Ezequiel, espera! A localização... parece estar mudando. O ponto está se locomovendo. Tá se afastando daquela casa!

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