Capítulo 168
Mariana Bazzi
O baque do corpo de Sidnei no sofá fez eco no meu peito como um alívio parcial. Só parcial. Porque aquilo ainda não era o fim. Ainda não era o suficiente.
Meu pai largou o pescoço dele, e o desgraçado tossia e babava tentando recuperar o ar, mas ninguém ali sentia pena. Nem um pingo.
Me aproximei, fria. Com a arma ainda apontada para ele.
— Vamos levar esse infeliz pra um lugar diferente. Não quero sujar mais a casa da minha mãe com esse lixo.
— Casa da mãe? Essa porra é minha! — gritou.
— Sua? Você não tem mais nada, seu desgraçado!
Vou arrancar cada centavo que tirou da minha mãe e já vai entender como. E essa casa, os bens, já era. Se quiser te deixo vender a alma para o diabo. Com sorte ele te deixa passar a eternidade abanando ele no fogo do inferno.
— Você é louca! Como mudou tanto, Mariana?
Sidnei tentou puxar a calça caída, os dedos trêmulos e sujos. Mas meu grito veio seco, rasgado:
— Se abaixou essa porra, vai deixar assim! — gritei muito alto.
Avelar entendeu o recado no mesmo segundo. Caminhou até ele e, com uma força brutal, arrancou a calça de Sidnei, puxando até o tornozelo como se estivesse descascando uma banana.
— Desgraçados! Seus desgraçados!
Os soldados atrás de nós começaram a rir. Gargalhadas abafadas, desconfortáveis, mas inevitáveis diante da cena grotesca.
Eu, meu pai e minha mãe não rimos. Não havia espaço pra leveza naquele momento. Apenas fúria.
Foi então que Safira perdeu o controle.
— FILHO DA PUTA! — ela gritou, e voou em cima dele.
Bateu. Bateu com a bolsa, com os punhos, com a raiva de quem viu o próprio inferno espelhado no rosto da filha.
— Você ousou encostar nas MINHAS FILHAS! Seu nojento! MERDA é o que você merece comer, seu maldito! Eu vou te matar!
Ela socava, empurrava, arranhava. E Amir, meu pai, entrou na cena com os dois punhos fechados.
— Não toca mais em mulher nenhuma na sua vida, desgraçado!
Os socos vinham fortes, secos. Quando Sidnei tentava se levantar, meu pai o derrubava de novo com mais força, como se quisesse deixá-lo enterrado no chão.
Eu parei por um instante. Olhei aquela cena, senti um nó na garganta... mas ele não era de dor. Era um grito se formando.
Cheguei perto. Encarei Sidnei se contorcendo e gemendo no chão, sangrando, babando, com a calça nos tornozelos e a vergonha impregnada nos olhos. Meus pais pararam, com certeza também não queriam que ele morresse assim, tão fácil.
Apertei o pé dele com firmeza, puxei com força, e bati o corpo inteiro dele contra o chão quando puxei do sofá.
— LIXO! — cuspi.
Então comecei a arrastá-lo sozinha.
— Avelar! — gritei por cima do ombro. Ele veio rápido, tentando pegar o outro pé.
— Deixa que eu te ajudo, senhora Costa Júnior.

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