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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 17

Capítulo 17

Mariana Bazzi

Ezequiel segurava um homem pela gola da camisa, quase o erguendo do chão, encostando-o contra a parede. Um dos seguranças — magro, nervoso, claramente despreparado — tentava falar algo entre gaguejos.

— E-eu não sei... senhor... juro por Deus...

— Não jure por Deus, jure pela sua vida — Ezequiel rosnou, os olhos apertados de raiva. — Elas estavam aqui ontem. Onde estão agora?

— R-Roberto saiu com elas, Don! Eu... eu não sei pra onde! Só sei que levou um carro, com dois caras... e... e disse que voltava em meia hora... Só levou as melhores dançarinas.

— Isso foi há quanto tempo?

— D-duas horas...

Ezequiel o soltou com força, e o homem caiu no chão, tossindo e puxando o ar. O Don se virou. Havia algo nele agora — um fogo silencioso, frio, letal. Ele sacou o telefone do bolso do terno e falou firme:

— Ativem o rastreamento. Quero saber onde esse filho da puta está. Se ele mexeu um dedo nelas, quero a cabeça dele numa bandeja. Hoje.

Um calafrio percorreu minha espinha. Samira me puxou um pouco mais para trás, discretamente. Eu não conseguia parar de tremer.

Ezequiel se virou para nós, os olhos ainda em brasa.

— Fiquem aqui. Atrás de mim.

— Don... — comecei, mas minha voz falhou.

— Mariana — ele disse, mais calmo agora. — Eu prometi que você ia buscar suas irmãs. Não vou quebrar essa promessa. Vou encontrá-las. Confia em mim? — assenti com a cabeça.

Ele encarou o fundo do cassino, como se pudesse ver além das paredes, além do concreto e da fumaça.

— Agora é comigo.

E sumiu pelos corredores, enquanto a música voltava a tocar. Mas para mim, tudo havia mudado. O cassino inteiro parecia ter ficado em silêncio. E pela primeira vez, não era o lugar que me amedrontava. Era o que poderia acontecer com Soraya e Iris.

— Calma, Ezequiel sabe o que faz. Ele vai resolver — a doutora falou e eu só sabia olhar ao redor.

— Estavam bem aqui, ainda ontem disseram pra mim voltar — reclamei — Foi aquele chefe. Elas ficaram bem preocupadas quando ele apareceu. Levaram minhas irmãs pra outro lugar.

— Sim, certamente. Mas Ezequiel vai resolver.

.

O tempo foi passando e Ezequiel não voltava. Eu olhava para os lados, tentando criar coragem para sair, ir atrás das duas, mas não sabia se a doutora me apoiaria ou se me entregaria para Ezequiel.

Havia um corredor escuro, normalmente um desses, dava acesso para a alguma saída de emergência. Os homens não se aproximavam, e vi que a doutora foi pegar uma água, então fui saindo cautelosamente e num descuido dela, corri.

Ninguém percebeu, pois já estava escuro. Haviam várias portas, eu precisei escolher rápido, mas eu entendia desses esquemas, era a do meio a saída, sempre é.

Abri e havia um elevador, apertei para o estacionamento e contei os segundos para sumir dali. Havia um lugar que elas poderiam ter sido levadas, mas Ezequiel não entraria lá.

Quando o elevador parou e a porta abriu, meu coração estava disparado, iria correr novamente, mas foi o rosto do Ezequiel que eu vi.

— Todos pra trás, ela é minha!

— Ezequiel, eu... — ele agarrou minhas pernas, me ergueu no colo e começou a me carregar.

— Me solta! Eu vou atrás das minhas irmãs! — bati nas costas dele.

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