Capítulo 175
Ezequiel Costa Júnior
Alguns dias haviam se passado desde o treino com as mulheres e o almoço no galpão. As coisas estavam se ajeitando, como deviam. Era cedo, o sol mal tinha aparecido no céu, e eu acordei com Mariana ao meu lado, virada de frente pra mim, os cabelos bagunçados cobrindo parte do rosto e aquele jeito de quem está num sonho bom.
Beijei de leve sua testa, e ela abriu um dos olhos, sorrindo de canto.
— Você está me espionando dormindo, Don? — ela resmungou, com aquela voz arrastada da manhã.
— Tô me perguntando como ainda não se deu conta de que é bonita até dormindo — respondi, puxando-a mais pra perto.
Ela riu e me deu um beijo lento, daqueles que acordam o corpo inteiro.
Ficamos assim por mais alguns minutos, sem pressa de levantar. Só aproveitando.
Descemos sorridentes, e o cheiro de café fresco e pão quente já tomava conta da cozinha e da casa toda. Sentamos lado a lado, dividindo a manteiga e disputando a última fatia da torta salgada que Neide havia deixado pronta.
— Hoje vou atender lá na clínica, tem uma consulta importante agendadas na parte da tarde e vou conferir algumas coisas — avisei.
— E eu vou sair com o pessoal da equipe — ela respondeu, puxando o celular pra checar os nomes. — Meu pai soube por Falcão de um grupo de mulheres que parecem estar em cárcere. Vamos checar de perto.
Eu a olhei sério por um momento, então estendi a mão e segurei a dela.
— Vai com cuidado. Se precisar me liga.
— Sempre. — Ela sorriu.
— Boa sorte.
— Pra você também, doutor. — me respondeu, me puxando pela gola da camisa pra mais um beijo.
Nos separamos com um toque final no rosto dela e fui direto pra clínica.
Tudo estava tranquilo, exceto por uma coisa. Quando chequei a agenda, percebi que havia um horário reservado, marcado por Luciana, mas sem nome de paciente. Nenhum cadastro. Nenhum detalhe.
Iria até a recepção para perguntar, mas antes que eu pudesse sair da sala, a própria Luciana entrou.
— Ah, doutor Ezequiel, bom dia! — disse com aquele sorriso treinado.
— Quem é o paciente que você agendou? Não encontrei nada aqui no computador. — Ela entrou e foi olhar a tela. Colocou uma xícara que estava em sua mão na minha mesa.
— Ah! Me desculpe, acho que me confundi no agendamento... era outro dia. Mas já que o senhor está aqui, será que poderia me examinar? Estou sentindo umas dores nos olhos, dificuldade pra enxergar às vezes.

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