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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 177

Capítulo 177

Ezequiel Costa Júnior

Minha cabeça latejava como se tivesse levado um soco com chumbo derretido. As luzes me incomodavam. Tudo incomodava. A lembrança do que aconteceu... me corroía por dentro.

Samira e Mauro me levaram para o quarto. Ela me deu um medicamento logo depois de fazer uma lavagem leve, mas minha consciência ainda parecia embaralhada. A boca seca, o peito pesado. Eu me sentia horrível.

Não conseguia esquecer a expressão da Mariana.

Deitei. Não tinha forças pra levantar. O silêncio da casa era estranho. Quente demais, denso.

Até que a porta abriu e Mariana entrou.

Estava de cara fechada, passos firmes, ombros duros. O olhar dela era como faca.

Parou diante da cama. Me encarou por longos segundos com seus olhos lindos. Eu já esperava a tempestade.

— Mariana... — murmurei, com a garganta seca. — Eu sinto muito. Eu não fazia ideia que isso podia acontecer. Eu confiei nela, juro por Deus. Não consigo entender como pôde me trair assim. Eu a tirei de um mundo horrível. Dei tudo o que precisava, inclusive liberdade. E olha o que aconteceu.

Ela cruzou os braços, os olhos ainda cravados nos meus.

— Você confiou, mas eu não. Deixou ela aqui por tempo demais fazendo merda. Fingiu que não era ameaça. E agora... olha o que ela fez. — A voz dela subiu meio tom. — Ela te drogou! Provavelmente passou a mão no seu corpo inteiro. E eu... EU vi aquela cena. Que droga, Ezequiel! Por mais que você tenha sido enganado. Aconteceu. Como acha que me sinto?

Eu fechei os olhos. Parte de mim queria que isso tivesse sido um pesadelo. Mariana tem o direito de estar furiosa.

— Mari, vem aqui. Por favor. Fica perto de mim, diz que está tudo bem. Isso vai me matar.

Ela negou com a cabeça. Um sorriso seco escapou.

— Vai tomar um banho e com sabão forte, por favor. Lava o corpo e a alma. Porque mesmo tendo sido drogado, eu ainda vi. E você ainda esteve ali... daquele jeito com outra. Estava praticamente nu com outra mulher no peito. Eu tô com raiva, Ezequiel. Bastante raiva, se quer saber. Tenho maturidade pra entender, mas isso não arranca de mim o que sinto.

Aquilo doeu mais do que qualquer tiro a queima roupa.

Fiquei em silêncio por alguns segundos, antes de olhar pra ela de novo. A voz saiu baixa:

— Mariana, fecha essa porta. E me ajuda no banho.

Ela arqueou a sobrancelha, descrente.

— Acha mesmo que eu vou...

— Não tô pedindo por sexo. Nem por perdão agora. Eu só estou pedindo por você. Me ajuda a levantar. Eu me sinto fraco e nojento. Mas se tem alguém que eu quero, é você. Ou vai me deixar aqui com o rastro de outra na nossa cama?

Ela respirou fundo. O maxilar travado.

— Eu até te ajudo a levantar, mas me deixa aqui na minha. Não fala nada. Não tenta me bajular. Só toma o maldito banho enquanto eu arranco todos esses lençóis aqui.

Ela se aproximou, ainda contrariada, e me segurou pelo braço, me ajudando a levantar com dificuldade. Fui sentindo o corpo pesar menos com o toque dela.

— Assim que eu melhorar vou resolver isso — afirmei.

— E o que pretende fazer?

— É traição...

— Ótimo! Posso facilmente enfiar uma faca em cada pedacinho dela — estava mesmo brava.

— Tudo bem. É toda sua meu anjo.

O banho me ajudou a limpar o corpo, mas não a alma.

Mariana ficou sentada na beirada da banheira, os braços cruzados, sem falar nada. Não tirava os olhos de mim, e ao mesmo tempo parecia evitar qualquer contato mais demorado.

— Pode me ajudar com a toalha? — pedi, estendendo a mão, me sentindo fraco até pra secar os próprios ombros.

Ela bufou, mas se levantou. Pegou a toalha grande e começou a secar minhas costas com movimentos secos, firmes, sem delicadeza.

— Vai ficar tudo bem... — murmurei.

Ela parou por um segundo, me olhando com aquele olhar assassino.

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