Capítulo 178
Sara
(2 meses depois)
— Eu sei que parece loucura, mas… eu tô decidida, Aaron — disse, sentando no banco de pedra perto da estufa, o sol batendo suave no fim da tarde. — Só não sei como contar pra eles.
Aaron estava ao meu lado, sério como sempre, mas com aquele olhar que eu já aprendi a decifrar. Estava orgulhoso e um pouco preocupado também.
— Ezequiel vai entender — ele disse, apoiando os cotovelos nos joelhos — talvez demore cinco segundos a mais que Mariana…, mas no fundo, ela gosta de você e gosta de mim também. A gente provou quem somos.
Soltei uma risada curta.
— Tomara. Porque quero fazer direito. Só queria achar o momento certo. Falar com calma. Sem uma ferramenta de tortura na mão, por exemplo.
Aaron riu com o canto da boca.
— Situação ideal. Mas você sabe que não existe "momento certo" nessa casa, né?
Suspirei.
— É. Vai ter que ser agora.
Mas antes que eu pudesse me levantar, a porta de vidro do corredor lateral abriu, e a voz grave de Ezequiel ecoou:
— Ah, então vocês já iam contar?
Parei no mesmo instante, engolindo seco. Aaron levantou as sobrancelhas, surpreso.
Ezequiel desceu os degraus do jardim com a postura de sempre — de quem sabe que comanda tudo mesmo sem dizer. E do nada, Mariana apareceu atrás dele, com a sobrancelha arqueada.
— Sara? — ela cruzou os braços. — Que história é essa? O que anda escondendo?
Meu rosto esquentou, mas não dava mais pra recuar. Fiquei em pé, respirei fundo.
— Eu ia contar agora. Só estava tentando acertar as palavras. Eu… — olhei pra Aaron. — A gente vai casar.
Mariana piscou uma vez, depois outra, o rosto ainda fechado.
— Casar? Pensei que estivesse grávida.
Ezequiel sorriu de canto, os olhos brilhando com algo entre surpresa e satisfação.
— Eu avisei que ia ouvir isso antes de todo o mundo — ele disse, olhando pra Mariana. — Ela só estava esperando a chance certa. E agora tá aqui.
— Eu… ia contar, juro — insisti. — Não queria fazer escondido. Só achei que… vocês dois tinham passado por tanta coisa esse mês. Principalmente com os japoneses. Toda a máfia Strondda e Kim aqui, e no fim não conseguimos nada. Eles ainda são uma ameaça.
— Ainda vamos resolver isso. É só questão de tempo. Não identifiquei risco eminente. Antony e Alexei estão comigo nisso — Ezequiel disse.
Mas então... ela riu.
— É claro que eu vou ajudar! — cruzou os braços, sorrindo com aquele brilho de desafio. — Onde vai ser?
— Eu queria… se for possível… fazer no jardim aqui da casa. Com as pessoas que importam, apenas. Na verdade, nenhuma além de vocês, mas... — Aaron pigarreou. — Tá, vamos chamar a família dele e a minha irmã.
Ezequiel assentiu de imediato.
— Tá decidido.
— Eu organizo tudo com você — disse Mariana, já se empolgando. — Nada de gente de fora. Vamos fazer do nosso jeito. Você merece.
Eu sorri aliviada, e Aaron se aproximou, me puxando pra perto pela cintura.
— Parabéns aos dois — disse Ezequiel.
— Se alguém fizer merda na cerimônia, eu mesma expulso — completou Mariana, piscando pra mim. — E a comida… deixa comigo.
— E as armas… também — brinquei, lembrando da performance dela no seu casamento.
Rimos todos.
Assim que Mariana e Ezequiel voltaram para dentro de casa, e o jardim ficou em silêncio outra vez, senti Aaron se aproximar por trás. O toque dele era quente, firme. Sua boca se inclinou até meu ouvido, e a voz rouca me arrepiou inteira:
— Vai pro quarto. Me espera no chuveiro.
Um calor subiu pelas minhas costas na mesma hora. Virei o rosto só o suficiente pra ver o brilho malicioso nos olhos dele — aquele olhar que me desmontava. Sorri de canto, sem dizer uma palavra. Apenas fui.
Subi as escadas com calma, mas por dentro… eu já estava em chamas. Tirei a roupa devagar, sentindo o corpo ansiar por ele, e entrei debaixo do chuveiro. A água quente escorria pelos meus ombros quando ouvi a porta abrir atrás de mim. O som firme dos passos dele no chão do banheiro me fez estremecer.
— Boa garota — ele murmurou ao se aproximar.
Aaron entrou no boxe sem pressa, mas com o domínio de quem sabia exatamente o que queria. Suas mãos vieram direto para o meu cabelo, puxando com força, forçando minha cabeça a inclinar para o lado.
— Levanta essa bunda pra mim, Sara — ele ordenou, a voz firme, grave, possessiva.
Eu gemi. Só com o som da voz dele, meu corpo reagiu, obedecendo antes mesmo de pensar.

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