Entrar Via

Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 192

Capítulo 192

Ezequiel Costa Júnior

(Na manhã seguinte)

A Zion Tríade parecia ainda mais fria hoje. Mauro caminhava ao meu lado, atento, os olhos varrendo o corredor como se esperasse alguém surgir do nada.

— Hikato já está no galpão B — ele me avisou. — Do jeitinho que o senhor pediu. Está nervoso. Tremendo.

— Ótimo. É assim que eu quero. Prepara tudo e leva ele pra sala onde o Sidnei tá sendo mantido. Quero os dois juntos. Quero ver o circo pegar fogo.

Mauro apenas assentiu e se afastou com um gesto curto para os seguranças. Eu continuei andando até o salão central da Zion. Era um espaço amplo, cercado por paredes de vidro blindado, onde decisões irreversíveis eram tomadas. E hoje… não seria diferente.

Quando entrei, Sidnei já estava lá, nu, sagrando, sentado numa cadeira metálica, algemado, de cabeça baixa. O cabelo desgrenhado, o rosto irreconhecível, e uma raiva que não precisava de palavras pra ser sentida. Mal me viu e já começou a se debater nas correntes como um animal em jaula.

— Vai se foder, Ezequiel!

— Calma, que a diversão nem começou — murmurei, puxando uma cadeira e me sentando devagar.

Foi quando Mauro entrou, empurrando Hikato pela porta oposta. O japonês mancava, respirava fundo, os olhos arregalados de pânico. Assim que viu Sidnei, congelou. Sidnei ergueu os olhos e arregalou-os ao reconhecê-lo.

— Eu confiei em você! — ele rosnou. — Onde está a Soraya? Onde está minha filha, porra?

— Você está me questionando? — Hikato esbravejou.

— Seu filho da puta! — gritou. — Você me disse que tava tudo certo! Que ia ser um bom negócio! Olha a merda onde a gente tá agora! Eu confiei minha filha a você! EU CONFIEI!

— Bem... eu só segui ordens... — Hikato gaguejou, sem conseguir se explicar.

A tensão subiu feito gasolina em brasa. Foi então que a porta se abriu com um estalo seco e firme, e Mariana entrou.

— Desculpa o atraso, meu amor — ela disse, como quem chega pra um jantar casual. — Eu estava cuidando das unhas, mas não perderia esse momento por nada. — Estava linda.

O salto dela ecoou até o centro da sala, os olhos faiscando ao encarar Sidnei. Ele rosnou, descontrolado:

— Onde está Soraya, sua vadiazinha desgraçada?

Sem dizer uma palavra, Mariana puxou a arma. Em um segundo, o som ensurdecedor do disparo fez o vidro imenso da lateral direita que não era blindado, estilhaçar, desabando como uma chuva de facas. O som ecoou pelo prédio inteiro.

— Coloquem ele de joelhos. Vai ficar de castigo para clarear a memória — ordenou.

Dois homens obedeceram sem hesitar. Puxaram Sidnei e o jogaram sobre os joelhos ensanguentados, direto nos cacos afiados que agora cobriam o chão. O grito dele foi cortante, desesperado. O vidro entrou fundo, rasgando carne e ossos, como punição e aviso.

Hikato se apavorou.

— Você é louco de desafiar essa mulher! — ele gritou pra Sidnei. — Ela é a mulher do Don, o cara mais fudido da Arábia! Seu burro! Se deu merda, a culpa não foi minha! Você se destruiu aos poucos!

— Cala a porra da boca — murmurei, olhando diretamente pra ele. — Se bem, bom... se quiser falar… agora é a hora. Você ainda pode escolher. Conta tudo o que sabe e eu te liberto. Ou eu arranco suas calças e você faz companhia a esse desgraçado aí no vidro.

Hikato empalideceu. Suava, tremia. A voz saiu sufocada:

— Eu falo! Eu falo!

— Então comece.

— A Yakuza sempre ajudou esse palerma… mas depois de hoje, o chefe já esqueceu até nosso nome. Ele não perdoa erros. E eu já tinha errado uma vez… então já era. Fui eu quem pediu um acordo de negócios com Sidnei. Um… depois outro… depois outro. Estou ajudando esse inútil faz tempo. Ele prometeu uma das filhas.

Me aproximei devagar.

— Uma das filhas?

— É… ele não disse qual. Só que ia ser útil. Pra acordos com japoneses… chineses… europeus. Eu o acobertei! Fiz tudo por esse verme! E pra quê?! Só estou a cada dia mais perto da morte por uma vadia! Se ao menos me desse a Íris… porque a Soraya tá morta.

A última frase foi uma dinamite acesa.

Sidnei urrou, tentando se levantar, rasgando ainda mais os joelhos. O sangue espirrou. Ele gritava:

— QUEM MATOU MINHA FILHA? QUEM? QUEM MATOU A SORAYA?

Então, Mariana se aproximou. Fria. Serena. Letal.

— Eu matei.

O silêncio foi brutal. Ela o encarou com desprezo.

— Matei porque teve chances e não aproveitou. Nesse mundo em que vivemos é assim. Temos aliados… e inimigos. Quem não é aliado… morre.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Aquela que o Don não pôde deixar partir