Capítulo 194
Íris
Me ajeitei mais na cama, sentindo o tecido do lençol deslizar pela pele. O ombro ainda doía, mas já não importava tanto. Eu estava com ele, era o que importava.
Por um instante, fiquei só sentindo sua presença. Quente, segura.
Fechei os olhos e respirei fundo. O colchão afundou mais perto de mim.
Senti primeiro os dedos, suaves, acariciando minha barriga, devagar, como quem não tem pressa, como quem respeita cada milímetro do caminho.
Abri os olhos e virei o rosto pra ele, que estava me olhando com um meio sorriso.
— Pode continuar… — sussurrei, sem vergonha. — Não sou nenhuma santa, Avelar. Já fiz isso antes. E quero você. Só... só não posso mexer muito o ombro agora.
Ele riu baixinho, os olhos brilhando.
— Então fica quietinha — disse com aquele tom baixo, rouco. — Eu cuido de tudo. Mas estou louco pra conhecer cada parte sua... se você deixar.
— Claro que deixo. Só não posso me mexer demais... mas você pode tirar minha roupa, com certeza.
Os olhos dele se aprofundaram. Ele se ergueu um pouco e passou as mãos pela minha cintura, com tanto cuidado que parecia estar mexendo com porcelana. Abaixou devagar a parte de baixo com a calça leve que eu usava e a calcinha. Eu senti o ar frio tocar minha pele… e a pele quente dele logo depois.
Não havia pressa em nada que ele fazia.
As mãos subiram por dentro da blusinha, contornando a curva dos meus seios por baixo do tecido, como se ele quisesse senti-los antes mesmo de ver. Seus dedos não apertaram — exploraram, sentiam. Acariciavam como quem agradece.
Meus lábios se entreabriram, um suspiro escapando sem culpa.
Avelar desceu o rosto e começou a beijar minha pele. Primeiro o ventre, depois subindo até o centro entre as costelas, e então por cima dos seios ainda cobertos. Um beijo lento, seguido de outro, e mais outro, até que eu arqueei o quadril, em silêncio, querendo mais.
— Ergue a blusinha, Avelar... — ele não demorou, deixou meus seios a mostra sem tirar completamente a peça.
— Você é linda... — ele murmurou contra minha pele. — E está segura aqui. Prometo.
Seus lábios voltaram a se mover, subindo pelo meu pescoço, e minha mão boa encontrou o cabelo dele. Afaguei seus fios úmidos, puxando de leve, como quem convida.
Avelar afastou mais a blusinha com um gesto calmo, cuidadoso. Me senti nua, exposta... mas não vulnerável. Seus olhos me olhavam como se eu fosse sagrada.
Ele se inclinou e começou a beijar meus seios com a mesma devoção com que tocava minha pele — sem pressa, sem brutalidade. Apenas presença. O calor da boca dele me arrepiava inteira, e mesmo com o ombro dolorido, todo o resto do meu corpo parecia desperto. Vivo.
Desci a mão pelo lençol, apertando-o entre os dedos quando senti a língua dele deslizar, quente, entre meus seios. Ele variava entre beijos e toques mais demorados, como se estivesse decorando cada centímetro de mim.
— Quero que você relaxe, Íris... — ele sussurrou entre um beijo e outro, sua voz grave me invadindo como uma promessa. — Confia em mim.
Assenti, sentindo meu corpo derreter. Ele foi descendo, os lábios traçando um caminho lento pela minha barriga, beijando o umbigo, depois a parte baixa do ventre. Cada toque era um convite pra esquecer o mundo — e lembrar só de mim mesma. Dele.
Seus dedos acariciaram minha coxa, desenhando círculos preguiçosos, atentos. Eu abri mais as pernas, guiada por um instinto antigo, uma necessidade há muito adormecida. Avelar não avançava com urgência — ele reverenciava.
Meus olhos se fecharam e soltei um suspiro profundo. Estava ali, inteira. E, pela primeira vez em muito tempo, sentindo prazer sem culpa. Sem medo.
Avelar deslizou a samba-canção pelas pernas, sem desviar os olhos dos meus. O corpo dele era uma escultura viva: forte, quente, e naquele momento, todo meu. Quando ele subiu sobre mim, senti o peso delicioso de sua presença, mas ao mesmo tempo havia uma hesitação delicada no gesto. Ele estava ali, mas parecia esperar por algo.
Não pediu permissão. Mas não precisava.
Levei a mão até a nuca dele e sussurrei, com a voz trêmula de desejo:
— Vem, Avelar... Entra devagar, me deixa te sentir.
Os olhos dele se fecharam por um instante, como se minhas palavras fossem tudo que ele precisava ouvir.
— Claro, linda... serei cuidadoso. Vou bem devagar, fique tranquila. — Se esticou sobre o criado e pegou um preservativo na gaveta.
Ele se inclinou e me beijou com tanta ternura que meu coração quase esqueceu como bater. Então senti — o calor, a pressão, o avanço firme e lento do seu corpo dentro do meu. Soltei um gemido baixo, um arrepio percorrendo minhas pernas.
Era intenso. Muito. Mas ele era paciente. Tão paciente.

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