Entrar Via

Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 195

Capítulo 195

Sara

(Dia do casamento)

O espelho refletia uma mulher que eu mal reconhecia. Não pelas roupas ou pela maquiagem — mas pelo olhar. Havia algo novo ali, calmo, feliz.

— Meu Deus, você vai mesmo casar! — a voz da minha irmã irrompeu atrás de mim, com a mesma mistura de incredulidade e deboche de sempre.

Sorri pelo espelho, sem me virar.

— Por que esse tom? Acha que não sou digna de véu e grinalda?

Ela se apoiou na moldura da porta, segurando a risada.

— Não é isso. É só que… você era a mulher que fazia armamento artesanal na escola e agora tá aí, vestida de branco, com flores no cabelo. Isso aqui é tipo ver a Mulan noiva da realeza.

— Ridícula — falei, rindo — E, pra sua informação, eu ainda sei montar uma bomba com peças de ventilador. Mas hoje… é só amor.

— Credo, tá até poética — ela entrou no quarto e me abraçou de lado, ajeitando um fio de cabelo solto no meu penteado. — Mas sério, Sarinha... você tá linda. E… eu tô feliz por você. De verdade.

Aquilo me pegou desprevenida. Engoli em seco e assenti, virando o rosto um pouco, disfarçando a emoção.

— Obrigada por ter vindo. Sei que foi meio em cima.

— Eu não ia perder a chance de ver você se casando com um cara que parece um agente secreto. E com um jardim cheio de mafiosos de terno. Isso vale mais que N*****x.

— Te odeio, Ana.

— Eu sei. Mas hoje você me ama.

Rimos juntas e, depois de um último retoque no batom, peguei o buquê.

— Vamos?

— Vamos. Mas anda devagar… ou vai tropeçar com esse salto enorme.

Descemos as escadas da casa de Ezequiel, e a cada degrau eu sentia o coração bater mais forte. Quando cruzamos a porta, o sol estava começando a se esconder, pintando o céu com tons alaranjados. O jardim estava decorado com simplicidade, mas cheio de detalhes que só Mariana saberia preparar. Flores brancas e lavanda, velas suspensas, bancos de madeira e aquele cheiro de jasmim no ar.

E então… eu vi.

Todos estavam ali. Os funcionários da casa, os soldados que um dia me encararam com desconfiança — hoje sorriam com respeito. Alguns até aplaudiram baixinho. Vi Mauro e Samira ao fundo, impecáveis, conversando com a equipe de segurança. E, do outro lado, Valéria — a irmã do Aaron — com a família. Elegante, séria, mas com um olhar de aprovação inesperado.

Mas o que fez meu coração disparar mesmo foi a visão no fim do corredor: Aaron.

Lá estava ele.

De terno preto impecável, barba aparada, os olhos fixos em mim como se o mundo tivesse parado ali. Mas o detalhe que me fez arregalar os olhos?

Os dois cachorros.

Sim. Os dois que Ezequiel resgatou na boate — agora perfeitamente adestrados por Aaron — estavam sentados ao lado dele. Coleira grossa, focinheira reforçada, mas com laços brancos nos pescoços. Um deles abanava o rabo como se soubesse que fazia parte de algo importante. E, estranhamente… faziam. Aquilo era a nossa cara.

Sorri tão largo que senti os olhos marejarem.

— Ok… — murmurei pra minha irmã — agora eu acredito que é real.

Ela riu baixinho, me deu um beijo na bochecha e sussurrou:

— Vai lá, noiva badass. O mundo não vai saber o que acertou depois desse casamento. Só que enquanto Ana arrumava meu vestido, vi que Ezequiel soltou a Mariana e veio até a mim. Uma emoção diferente me atingiu enquanto ele se aproximava. De repente ele estendeu o braço e uma lágrima boba escorregou por meus olhos.

— Me dá a honra de te acompanhar até o altar? — eu não consegui responder. Simplesmente assenti pra não chorar e passar mais vergonha perante os soldados e convidados.

Respirei fundo, ajustei o buquê entre as mãos e comecei a andar. Cada passo até Aaron parecia mais leve. Como se toda a guerra, toda a dor, tudo que fomos… estivesse me levando até esse momento. E ter o Don ao meu lado significava muito. Dizia pra mim mesma e pra todos que esse era um novo ciclo. Que agora tudo seria diferente e foi incrível ver o sorriso da minha senhora Mariana olhando pra mim.

Quando cheguei perto, Aaron estendeu a mão, sorrindo.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Aquela que o Don não pôde deixar partir