Capítulo 21
Ezequiel Costa Júnior
O sorriso dela ainda estava impresso na minha memória quando saí do restaurante. Leve, doce, e também assustado, mas cheio de esperança. Era como ver uma flor brotar no concreto depois de anos de abandono. Mariana me deu uma chance — pequena, tímida, frágil — mas era uma chance.
Ajudei minha bonequinha a se levantar com todo o cuidado do mundo, como se fosse feita de vidro fino. Caminhamos até o carro, e ela segurava a sacolinha como quem segura o passado e o futuro ao mesmo tempo.
A cada vez que olhava pra ela sentia uma vontade louca de agarrar, beijar e fazê-la minha, mas eu controlei casa maldito impulso, não entendo como.
Quando paramos na porta de casa, eu apenas beijei sua mão. Nada mais. Nada que a pressionasse. Nada que a fizesse recuar, embora meu corpo gritasse de desejo. Só dei aquele beijo leve, carregado de tudo que eu sentia e ainda não podia dizer em voz alta.
— Até mais tarde, bonequinha — murmurei, e vi um brilho novo nos olhos dela.
Quando saí, vi a doutora Samira perto do jardim, seu sorriso me fez lembrar dos velhos tempos. A doutora que eu tirei do caos, que formei, que agora podia ajudar a mulher que eu queria ter na vida. Era ela que iria me ajudar.
— E aí? Como ela está, Ezequiel? — perguntou.
— Melhor — sorri, sentindo meu peito inflar de orgulho. — Ela decidiu me dar uma chance. Disse que quer tentar comigo. E vai aceitar o acompanhamento psiquiátrico e os tratamentos impostos.
Os olhos de Samira brilharam de imediato.
— Que maravilha, Don! Isso já é um bom avanço— mas eu logo me aproximei com seriedade. O tom da minha voz mudou, firme, direto.
— Samira, presta atenção no que vou te dizer: eu realmente gosto da Mariana. Quero ela pra mim. Sei que você tem um marido, mas eu pago o quanto for preciso pra que fique aqui, ao lado dela, e ajude no que for necessário. Não meça esforços, Samira. Ajude para que ela entenda que eu só quero amá-la, que faço qualquer coisa pela sua cura. Qualquer coisa. Se preciso, eu a protegerei com minha própria vida.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aquela que o Don não pôde deixar partir