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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 23

Capítulo 23

Mariana Bazzi

A doutora Samira olhou nos meus olhos, tentando manter a calma, mas a tensão era visível até em seus ombros tensos.

— Eu não tenho certeza, querida — respondeu com a voz baixa, mas firme. — Sou clínica geral e terapeuta comportamental. Esses são os médicos oficiais do Don. Apenas eles têm permissão para casos mais graves. E, pelo visto, Ezequiel está inconsciente.

Meu peito apertou. Dei um passo instável para frente.

— Mas o que aconteceu com ele? — perguntei num sussurro. Mal terminei, e a voz de Yulssef atravessou a conversa:

— Sofreu um acidente. Nossos homens o seguiam como de costume. Um caminhão atravessou um cruzamento e bateu praticamente de frente. O socorremos de imediato, e já estou averiguando tudo — falou bem rápido.

Levei a mão à boca, o coração disparado. Fui instintivamente para perto da doutora, e ela segurou minha mão. Só percebi que estava apertando demais quando ela reprimiu um gemido e levou a outra mão aos lábios.

— Me desculpa! Eu apertei e te machuquei — murmurei, assustada.

Ela balançou a cabeça, respirando fundo.

— Está tudo bem. Vamos esperar por notícias.

Mas a angústia crescia dentro de mim como um incêndio.

— Será que posso entrar? — arrisquei, com a voz embargada.

— Não, agora não — Yulssef respondeu.

— E eu? Sou médica — a doutora questionou.

— Acredito que não. Aliás, pode voltar pra casa. O Don tem seus médicos como você sabe, e vou seguir todos os protocolos dele — Yulssef disse com frieza, cruzando os braços. — Agora que Ezequiel não vai precisar dos seus serviços... quando ele acordar, eu chamo novamente.

Minhas pernas cederam por um segundo. "Serviços"? Aquilo me soou como uma punhalada. Do que ele estava falando?

— Ah, não vou sair daqui — respondeu, com firmeza. — Ezequiel me pediu pra não sair daqui. Tenho um assunto pessoal que tratei com ele. Só vou sair se ele mesmo pedir.

Yulssef arqueou uma sobrancelha, cético.

— O Don está inconsciente. É o mesmo pra Sara, pra Luciana...

— Eu não vou sair — disse a doutora Samira, de forma inesperada.

Olhei pra ela, surpresa. Ela sustentava o olhar de Yulssef com coragem rara.

— Obrigada... então — ele murmurou, não sei se contrariado ou feliz. Esse homem está sempre sério, com pouca expressão. — Vamos cuidar do Don e ajudar os médicos. Agora, a Sara ele não queria aqui. Vou ficar de olho para que não retorne.

— De acordo — Samira disse.

Ele se afastou. A tensão dele parecia corroer meu corpo. Só quando saiu, percebi que meu corpo inteiro tremia.

— Mas por que aqui? Ezequiel devia estar num hospital, doutora. Eu não entendo! — exclamei, a voz vacilando.

A doutora me conduziu com calma até um banco lateral no imenso corredor de madeira escura. A mansão estava cheia de homens armados e passos apressados, me deixando sem ar, com muita náusea.

— Ele é médico oftalmologista. Um dos melhores do mundo, inclusive — ela disse com calma. — E tem praticamente um hospital aqui dentro. Esses médicos são os melhores do país, e são exclusivos da família. Está seguro aqui.

— Nossa... coitado do Ezequiel.

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