Capítulo 26
Mariana Bazzi
— Yulssef diz a verdade! Não é bem assim — pedi com o corpo todo trêmulo.
— Não sei exatamente qual é o esquema com ela, porque sei que gosta dela, mas de qualquer forma é sua! — estranhei a verdade da forma como o Consigliere falou.
— Cadê a Raquel? — Ezequiel pediu por ela, mudando o assunto.
— Tem certeza que quer vê-la? — Yulssef questionou.
— Se ainda sou eu que mando nessa porra, me traga a Raquel! — falou mais alto, embora eu tenha reparado que mal conseguia se mover.
Yulssef fez sinal.
— Vamos deixar os médicos dele examinarem, depois vocês voltam, ok? — eu não sabia o que dizer. Apenas segui a doutora Samira.
O Consigliere saiu conosco e praticamente me escondi atrás da médica para ficar longe.
— Pelo que os médicos já me disseram, ele perdeu as memórias recentes. Não sei até que ponto se lembra, mas percebi que sua mente está confusa.
— Quem estava com ele quando abriu os olhos? — a doutora perguntou.
— Raquel. Acho que inventou alguma coisa. O bom é que me reconhece — Yulssef respondeu.
— Tem certeza? Não a vi sair — a doutora questionou. O Consigliere olhou feio pra ela.
— Se estou dizendo é porque vi. Vou averiguar pelas câmeras o que aconteceu e controlar o que conversam.
— Tem câmera aí dentro do quarto? — ela perguntou.
— Tem. Só preciso averiguar se está ativa. Com licença.
Ele saiu e fiquei ali parada, olhando para a doutora Samira. Logo os médicos voltaram com Raquel, que riu da minha cara.
— Eu não disse? Quem vai te querer? No fim eles sempre chamam as que estão dispostas a dar o que precisam — entrou no quarto e fiquei sem saber o que fazer. Não respondi.
— Doutora, isso não pode estar acontecendo! Tem coisa errada — reclamei.
. A doutora Samira me puxou pelo braço suavemente e me afastou da porta.
— Mariana, calma. Eu sei que foi difícil o que você ouviu, mas escuta… — ela respirou fundo. — Ele está confuso. É normal depois de uma pancada forte. Pode misturar passado com presente, lembranças com invenções. Vamos precisar ser pacientes e ajudá-lo a organizar tudo.
— Eu não consigo confiar nesse tal de Consigliere… — confessei em voz baixa, ainda olhando para a porta fechada. — Tem algo naquele homem que me arrepia. Eu não gosto dele.
— Isso se chama androfobia, Mariana — disse com calma. — Eu venho reparando. Você fica assim perto dos médicos, dos soldados… e também com o Consigliere. Mas vai ter que enfrentar isso. Não por ele, mas pelo Don. Ezequiel confia nesse homem, mesmo sem memória. Nós também vamos precisar confiar — ela segurou minhas mãos com firmeza. — Precisamos dele se quisermos qualquer chance de entender o que está acontecendo.
— Não sei se consigo.
— Consegue sim. Traga de volta as memórias que já tem do Ezequiel. Esse não é o que conheceu, mas ainda é ele. Respira fundo.
— Eu farei o que for necessário — murmurei, tentando esconder o tremor na voz.
Foi quando ouvimos um grito vindo do quarto:
— Saia daqui! Chame a outra serva!

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