Capítulo 32
Mariana Bazzi
Assim que Ezequiel passou pela porta com o terno alinhado e o olhar de aço, eu senti uma onda de pânico me atravessar o peito. Mas não foi ele o gatilho. Foi o outro. O homem encostado na parede, sorrindo como quem já sabia o final da história.
O Consigliere.
Yulssef.
Aquele olhar... Eu conhecia aquele olhar. Não era lealdade. Era cálculo, era traição.
Assim que a porta fechou, me virei para a doutora Samira com urgência na voz.
— Ele vai matar o Don — soltei, com as mãos trêmulas. — O Consigliere. Ele tá planejando alguma coisa. Vai matar o Ezequiel.
Samira franziu a testa, surpresa com minha afirmação.
— Mariana, calma. Você está impressionada. O Yulssef tem sido cauteloso, tem feito tudo certo. Até agora, ele não representou nenhuma ameaça.
— Não, doutora. Eu conheço esse tipo. Eu vi aquilo nos olhos dele. O mesmo brilho que vi no meu pai antes de me entregar. O mesmo silêncio antes da emboscada com os poloneses. É traição. Ele vai matar o Don, e a gente precisa fazer alguma coisa, agora.
Samira mordeu o lábio inferior, analisando. O ceticismo deu lugar a uma pontada de preocupação.
— E o que você sugere? Vamos segui-los?
— Sim!
— Mariana, ele perceberia. Você viu como ele é. A gente teria problemas, graves.
— Os seguranças! — exclamei. — Os soldados que vão com os carros. Podemos pegar carona com eles!
— Mariana, são todos homens. Como vamos resolver isso?
— Eu vi a Sara lá fora! Ela tá de plantão hoje. Vamos obrigar ela a nos levar!
Samira hesitou por um segundo, mas acabou assentindo. Nós saímos correndo pelo corredor, mas antes que ela pudesse alcançar a porta da frente, uma mão firme agarrou seu braço.
Ela se virou assustada. Eu congelei.

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