Capítulo 40
Ezequiel Costa Júnior
Ela era o próprio pecado enrolado nos meus braços. E eu estava perdendo o juízo.
Cada tremor do corpo da Mariana, cada suspiro rouco que escapava da garganta dela, era como uma corrente elétrica me atravessando. Eu sentia meu autocontrole sendo esmagado a cada segundo, mas sabia que não podia — não devia — ultrapassar o que ela estava disposta a dar.
A palma da minha mão deslizava devagar pela pele quente dela, respeitando cada limite invisível. Não toquei seus seios, mesmo com o desejo pulsando ferozmente dentro de mim. Sabia que podia ser perigoso, sabia do que ela já enfrentou. E eu preferia morrer a quebrar a confiança que ela, mesmo tremendo, estava me oferecendo.
Me concentrei em acariciar seus cabelos macios, em deslizar meus dedos pela nuca dela, sentindo os pequenos arrepios que eu provocava sem forçar nada. Mantive meu corpo ali, firme, como uma âncora segura onde ela podia se apoiar. E ela se ancorava — oh, se ancorava.
De vez em quando, eu sentia a tensão percorrer o corpo pequeno dela. Como agora, quando seus dedos apertaram meu braço com mais força. Um aperto com insegurança, medo talvez, misturado com uma coragem que a deixava ainda mais linda.
Abaixei o rosto, roçando os lábios de leve na pele dela, no cabelo, sem invadir, sem pressionar.
— Tá tudo bem, bonequinha... — sussurrei rouco, quase sem conseguir respirar direito. — Não precisa ter medo. É você quem manda. Só sente... se deixa levar...
Minhas palavras eram mais instintivas do que planejadas, uma mistura de delicadeza e desejo tão forte que me fazia estremecer junto com ela.
Não queria assustá-la. Não queria apressá-la. Só queria que ela soubesse que podia confiar em mim. Que ela merecia prazer, merecia sentir sem medo.
Os quadris dela se moviam, pequenos movimentos inconscientes, e eu mal conseguia controlar meus próprios instintos ao ver aquilo. Às vezes, os lábios dela roçavam os meus, de leve, como se quisesse testar. Não era um beijo de verdade, era só o toque — quente, molhado, provocante — que me deixava completamente enlouquecido. Mas eu não a puxei. Não a prendi. Deixei que ela fizesse no seu tempo.
Aos poucos, ela foi se soltando. Seus gemidos ficaram mais audíveis, ainda tímidos, abafados no meu peito. E eu fui falando, baixinho, guiando, encorajando:
— Isso... tá linda assim, bonequinha... — Me deixa sentir você... Se entrega... Eu tô aqui, não vou te soltar...
Senti quando ela começou a se desfazer. O corpo dela tremendo, as unhas cravadas nos meus braços, os quadris buscando mais, mais e mais... até que ela quebrou sua própria barreira.
A cabeça dela afundou no meu pescoço, os gemidos abafados na minha pele enquanto ela se desfazia inteira. Eu fechei os olhos, lutando contra a vontade insana de tomar seus lábios, de puxá-la para mim de um jeito que ela ainda não estava pronta.
Em vez disso, só a segurei firme. Passei as mãos por seus cabelos, murmurei palavras desconexas contra sua testa.
— Isso, se solta...
— Você é maravilhosa, Mariana. Uma mulher linda, sensível... Vou cuidar de você meu anjo...
Tive uma lembrança estranha onde eu já chamava ela assim antes. "Meu anjo".

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