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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 41

Capítulo 41

Ezequiel Costa Júnior

Ela não me respondeu. Senti uma impotência absurda.

Acariciei seus cabelos com delicadeza, puxando uma mecha para trás da orelha, tentando mostrar com cada gesto que ela estava segura aqui comigo.

— Isso que falou, não é verdade... — comecei, escolhendo bem as palavras — Isso é coisa que colocaram na sua cabeça. Você não é suja, nem errada. Não sei o que fizeram ou o que disseram, mas não está suja e eu não vou te machucar. Eu prometo.

Ela desviou o olhar, mas segurei o rosto dela com as duas mãos, forçando suavemente para que me encarasse.

— Você é uma mulher, bonequinha — continuei, a voz firme, mas cheia de ternura. — Linda, jovem. Merece sentir prazer. Merece muito mais do que isso. Merece ser amada, cuidada...

Acariciei sua bochecha com o dorso dos dedos. Ela fechou os olhos um segundo, como se absorvesse minhas palavras.

— Merece um homem que trate você como mulher de verdade. Que cuide de você... que te proteja. — dei um sorriso pequeno, meio torto. — Agora eu entendo por que a pulseira está contigo.

Puxei delicadamente o pulso dela para perto do meu peito, olhando a pulseira fina reluzindo sob a luz.

— Eu escolhi você, bonequinha — minha voz saiu quase num sussurro. — Você é minha. Vou cuidar de você como cuidei da minha mãe. Ou melhor...

Mariana arregalou os olhos devagar, como se tivesse medo de acreditar. Então, aos poucos, vi um pequeno sorriso nascer nos lábios dela. Fraco, tímido... mas real.

Ela deslizou a mão até meu peito, exatamente sobre meu coração, sentindo as batidas aceleradas que eu não fazia questão de esconder.

— Mesmo que aquele Consigliere te diga mentiras... — ela murmurou, baixinho — ...eu ainda tenho meu Ezequiel aqui dentro.

Seus dedos acariciaram meu peito de leve, como se estivesse tentando memorizar aquele momento.

— Você ainda é você... — ela sussurrou, os olhos marejados, mas agora com algo novo ali. Esperança. — Consegue perceber que não é alguém ruim?

Minha garganta apertou de um jeito que eu não lembrava de sentir havia muito tempo.

Pousei minha testa na dela, fechando os olhos.

Respiramos juntos.

— Não, bonequinha... — sussurrei contra a pele dela. — Não sou ruim quando estou com você.

E naquele instante... eu realmente acreditei nisso.

— Obrigada por me entender, mesmo sem lembrar... — falou baixinho.

— Vou cuidar de você. Agora descanse, que... — ela se soltou de mim e ficou de costas, tão encolhida que fiquei preocupado, mas não ousei mais encostar nela — Boa noite meu "anjo".

"Não sei porque essa palavra me deixa inquieto..."

.

A noite parecia arrastada. Eu levantei bem cedo, tinha assuntos a acertar. Peguei meu celular e comecei a vasculhar. Desde que acordei do acidente achei que haviam poucas conversas e quase nenhuma ligação registrada no meu aparelho.

Enviei uma mensagem igual para todos os contatos. Talvez recebesse alguma informação importante.

"Bom dia! Quero o detalhamento dos acontecimentos dos últimos quinze dias".

Vi Mariana deitada e cobri melhor seu corpo, então fui andando pelo corredor e dei de cara com a doutora Samira assustada.

— O que fez com ela? Ezequiel pelo amor de Deus! Me diz que recobrou a memória e não ousou encostar na Mariana? — fiquei irritado com a ousadia dela, coloquei a mão contra seu peito e a empurrei, mas nesse exato momento alguém me acertou um soco.

— Tira as mãos da minha mulher! — puxei a arma pra atirar, mas imediatamente imagens invadiram minha cabeça, várias. Fiquei tonto.

— Você? Eu conheço você! — afirmei.

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