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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 42

Capítulo 42

Mariana Bazzi

Acordei com a voz da doutora Samira me chamando, o tom apavorado. Pisquei devagar, tentando entender onde estava, quando ela se aproximou da cama num impulso, segurando meus ombros com carinho, mas com os olhos marejados de preocupação.

— Mariana, você tá bem? Ele te machucou? — a voz dela saiu abafada, com o coração na boca.

Respirei fundo. Me sentei devagar, puxando o lençol até os ombros. Abaixei os olhos, sentindo o peso da vergonha e da confusão. Mesmo assim, falei:

— Doutora... eu estou bem.

— Mas está no quarto dele. Ele te obrigou?

— Não, eu fiz um combinado com ele, e... deixei o Ezequiel me tocar.

Ela arregalou os olhos. Sentou-se na beirada da cama, tentando controlar a expressão, mas não escondeu o susto.

— Como assim? Ele... ele não te forçou?

Balancei a cabeça.

— Não. Na verdade, eu... eu fiquei excitada ao vê-lo no banho, depois dormindo ao meu lado. Foi estranho. Senti medo..., mas também desejo. Eu mesma comecei a me tocar sem controle. Ele acordou ao ouvir um gemido meu, se assustou, mas... só pediu para terminar. Disse que só queria me ajudar a relaxar. E... eu deixei. Ele me respeitou, doutora. Não avançou o sinal. Nem uma vez. Talvez eu consiga deixá-lo se aproximar.

Ela ficou em silêncio por alguns segundos, respirando fundo.

— E como você ficou depois disso? O que sentiu?

Encolhi os ombros, o nó na garganta subindo.

— Foi... uma sensação boa. No começo, foi como se, por alguns minutos, eu tivesse controle do meu corpo de novo. Mas depois... veio aquela culpa. Me senti estranha, suja. Acreditando que, no fim, ele faria como os outros... que me bateria. Que eu havia traído a mim mesma, sabe?

Samira se aproximou mais e pegou minhas mãos com firmeza e carinho.

— Mariana! Minha querida... você ainda guarda a imagem dos homens que te atormentaram. Mas o Ezequiel não é como eles. Ele é diferente.

— Eu sei, doutora... — murmurei, com lágrimas escorrendo. — Mas ele é homem também. E isso me confunde. Porque... ele é bom comigo, quer me ajudar, disse que vai me respeitar, que não vai fazer nada que eu não queira... que só vai acontecer se partir de mim.

Ela assentiu com ternura.

— Eu acredito nele, Mariana. Mesmo sem memória, ele ainda sente amor por você. E você sente por ele também. Isso é nítido.

Suspirei, engolindo o choro.

— Mas... e se um dia ele mudar?

— Então você terá a escolha de ir embora. Mas agora, precisamos avançar no seu tratamento. Eu vou chamar a psiquiatra. Vamos registrar essa evolução no seu relatório. Também quero te expor aos outros homens da casa, com supervisão, claro. Avaliar sua reação, seu progresso. E trarei a terapeuta de meditação para complementar. Mariana, dá uma chance ao Ezequiel. Uma chance de te mostrar que você pode confiar de novo. Que pode sentir... sem medo.

Ela me abraçou, e deixei meu corpo relaxar nos braços dela. A presença dela era firme e segura. Mas o nome que ecoava dentro de mim, com força e contradição, era o dele:

Ezequiel.

Ele me toca sem me invadir. Me vê... sem me julgar. E quando diz que vai cuidar de mim...

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