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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 45

Capítulo 45

Ezequiel Costa Júnior

Entrei no quarto com Mariana nos braços. Ela era leve demais, frágil demais. Como se o mundo tivesse esmagado cada pedaço dela e agora me restasse tentar juntá-los um a um. Fechei a porta atrás de mim com um estalo e caminhei até a cama. Deitei-a com cuidado sobre os lençóis e me ajoelhei ao lado. Ela tremia. Não me olhava. Só se encolhia, como se tudo ao redor fosse ameaça.

— Mariana... — minha voz saiu baixa, quase implorando. — O que aconteceu com você?

Nada. Nem um som.

— Quem fez isso? Foi alguém daqui?

Ela apenas se encolheu mais. O silêncio dela me feria de um jeito que eu não conseguia explicar. O sangue já fervia dentro de mim, mas lutei contra o impulso de levantar e sair quebrando tudo. Eu precisava entender. Precisava ter certeza.

— Eu... — engoli seco. — Eu te fiz alguma coisa?

Ela balançou a cabeça, negando. Um alívio estranho atravessou meu peito. Não era culpa minha. Não diretamente. Mas ainda assim, eu me sentia responsável.

— Então me deixa te ajudar — pedi. — Me deixa te entender.

Mariana virou o rosto devagar, como se cada movimento do corpo fosse difícil demais. Os olhos dela encontraram os meus, tão cheios de medo e dor que eu quase parei de respirar. Então ela sussurrou:

— Fica... aqui comigo?

Não hesitei. Subi na cama e a puxei para perto. Ela se encolheu no meu peito, como se eu fosse o único abrigo que restava. Segurei firme. Passei a mão pelos cabelos dela com cuidado, pelas costas, tentando transmitir qualquer coisa que fosse conforto, afeto, segurança. Sabia que ela sofria com androfobia, que lutar contra aquilo todos os dias devia ser exaustivo. E alguém, maldito seja, fez algo que a fez regredir — algo feio, algo que quebrou o pouco de chão que ela vinha construindo.

Aos poucos, ela adormeceu nos meus braços. Só quando tive certeza de que estava dormindo, me levantei. Cuidei pra não acordá-la. Saí do quarto e fechei a porta devagar.

Mas por dentro... eu estava em chamas.

Desci as escadas com o coração acelerado, o rosto duro. Fui direto ao escritório e encontrei Aaron diante dos monitores.

— Me mostra as imagens — exigi. — Agora.

— Do quê?

— Da última hora. Dos corredores. De onde ela foi encontrada!

Ele digitou, puxou as gravações... e depois franziu a testa.

— Não tem nada. A câmera daquele corredor estava desligada.

— O QUÊ?

Senti o sangue subir. Esmurrei a mesa com tanta força que Aaron até recuou.

— REÚNE TODO MUNDO! Funcionários, soldados, moradores! QUERO TODO MUNDO NA SALA AGORA!

Em minutos, a sala principal estava cheia. Todos com aquela expressão de quem não sabe o que está acontecendo, ou finge bem. Olhei pra cada um deles. Um por um.

— Mariana foi atacada. Encontrada em estado de choque. E a câmera da área estava desligada.

O silêncio foi total.

— Se alguém aqui acha que pode tocar em alguém meu, apagar provas e continuar respirando... — dei um passo à frente — ...vai descobrir que escolheu o inimigo errado.

Fitei os olhos de todos. Esperando um vacilo. Uma piscada. Nada. Todos com máscaras bem colocadas.

Mas no fundo... eu sabia. Tinha um nome queimando na minha mente.

Yulssef.

Aquele filho da puta se esgueira por entre todos nós com sorrisos calmos e intenções podres. Mas eu ainda não tinha prova. Ainda não.

— Podem voltar às suas funções — falei por fim, com a voz baixa — Quando eu descobrir quem colocou as malditas mãos nela, vou esmagar pedaço por pedaço.

No meu peito, só havia guerra.

— Eu vou descobrir quem fez isso. E quando eu descobrir... ninguém vai me impedir de arrancar a verdade pela carne.

Saí da sala com a mandíbula travada e os punhos fechados.

Fui até a cozinha, onde a cozinheira já me olhava assustada depois do caos de minutos atrás.

— Prepara o almoço pra dois. — falei seco. — Vai ser no quarto. Capricha, e nada pesado. Entendido?

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