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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 46

Capítulo 46

Ezequiel Costa Júnior

— Lembro de algumas coisas… — respondi, com a voz baixa, os olhos ainda nela. — Não tudo. Mas tem momentos, cenas… que aparecem do nada. Como se algo novo destravasse uma parte esquecida da minha mente.

Mariana ficou em silêncio, vestindo a blusa com delicadeza. Seu olhar procurava o meu o tempo todo, como se cada palavra minha fosse vital.

— Isso é um bom sinal.

— Acho que logo vou lembrar de tudo — completei. — Cada detalhe.

Tomei a peça de roupa seguinte em mãos, com a intenção de ajudá-la, mas no instante em que estendi os braços, ela se encolheu. Recuou meio passo, os olhos arregalados por reflexo.

— Desculpa — sussurrei, me afastando de imediato. Voltei a sentar na cama, dando espaço, respeitando o limite dela. Embora tenha ficado inquieto, é difícil entender isso de uma hora está tudo bem e outra não posso encostar.

Mariana terminou de se vestir em silêncio. Quando ficou pronta, caminhou até mim com passos pequenos e hesitantes. Ao me ver levantar, segurou minha mão.

Um gesto simples. Mas cheio de significado.

Quando saímos do corredor parei, a observei. Havia outros homens circulando pela casa — soldados, empregados, aliados — e entendi. Ela me escolheu. Confiava em mim.

Segurei sua mão de volta, firme, sem pressa.

Descemos juntos até a cozinha. A cozinheira estava ali, com a bandeja pronta. Um cheiro suave escapava da travessa, mas antes que ela dissesse qualquer coisa, levantei a mão.

— Pode guardar. Vamos sair pra almoçar.

Ela assentiu, ainda um pouco assustada com os últimos acontecimentos, mas não ousou questionar.

A médica apareceu na porta e a chamei por um momento. Mariana ficou do lado contrário, não nos ouvia.

— Ela regrediu, Samira. Não me deixou encostar, se retraiu. Mudou seu jeito comigo de novo.

— É normal pelo que passou, Ezequiel. Vou chamar a psiquiatra, explicar a evolução que ela teve, o que aconteceu agora. Nós vamos achar um meio de trazer Mariana de volta. Já dei a medicação pra ela, vai melhorar.

— E eu vou achar um meio de pagarem por isso. Vou até o inferno se precisar pra descobrir quem ousou encostar nela.

— Ótimo. Espero ansiosa por isso — fui até Mariana.

Seguimos até o portão principal. Ela caminhava ao meu lado, um pouco mais ereta, como se a minha presença lhe devolvesse algo da dignidade que tentaram roubar.

Foi então que Mauro apareceu, estacionando seu carro preto rente à calçada. Desceu com calma e se aproximou com um celular em mãos.

— Aqui — disse, me entregando meu aparelho celular. — Já extraí tudo o que precisava e recuperei conversas. Depois passo o relatório completo. Mas tem uma informação que você precisa saber agora.

Olhei o celular, depois para ele. Pelo tom, era algo que não podia ser dito ali. Desci os dois degraus da entrada e me aproximei. Mariana ficou atrás, observando em silêncio.

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