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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 48

Capítulo 48

Ezequiel Costa Júnior

O restaurante estava vazio como pedi. Elegante, silencioso, com a luz natural filtrada por cortinas finas e discretas. Um garçom nos recebeu na entrada com uma reverência, abrindo o salão todo para nós.

Mariana entrou com passos leves, os olhos varrendo cada canto do lugar. Seus dedos ainda entrelaçados nos meus, mas estava em alerta, desconfiada.

— Mas não tem ninguém? — perguntou, olhando ao redor com a testa levemente franzida.

— Não. Reservei o espaço todo pra gente. — A levei até a mesa central. — Me diz qual prato você quer. Não lembro do que gosta.

Ela soltou um suspiro, quase frustrada.

— Na verdade… eu queria batata e frango frito. Mas aqui não tem essas coisas, né?

Antes que eu pudesse responder, o chef apareceu pela lateral. Alto, magro, com avental escuro e olhar atento. Mariana imediatamente abaixou os olhos, o corpo se encolhendo, assim como quando viu o garçom.

— Ela quer batata frita e frango frito — repeti, com firmeza, sem desviar o olhar do homem. — Capricha.

Ele apenas assentiu e se retirou. Observei Mariana com atenção. Seu incômodo era evidente, mas, pouco a pouco, parecia se acalmar. Sentei à sua frente, apoiando os antebraços na mesa.

— Está tudo bem?

Ela hesitou por alguns segundos. Mexeu em um guardanapo. Depois murmurou:

— Eu preciso encontrar minhas irmãs. Estou preocupada. Não sei onde estão, como estão… o tempo está passando.

Assenti devagar.

— Eu vou cuidar disso. Prometo.

Ela me olhou nos olhos por um momento, depois desviou, inquieta.

— Tome cuidado com o Consigliere…

Franzi as sobrancelhas.

— Por quê?

— É só… um pressentimento.

Mas eu não sou burro. Inclinei o corpo na direção dela, olhando fundo.

— Ele fez alguma coisa com você, Mariana?

Ela demorou. Abriu a boca pra responder, mas nesse exato instante o garçom se aproximou com a comida. Mariana aproveitou o momento para mudar de assunto, agradecendo rápido, como se quisesse escapar do tema.

Me reclinei na cadeira, sem tirar os olhos dela. Algo ali não estava certo. A forma como evitou a resposta, a tensão nos ombros.

Meu celular vibrou.

— Espera um pouco — falei, atendendo. Do outro lado, Aaron.

Ouvi com atenção e, ao final, sorri de lado, libertando apenas ele e meu soldado dos japoneses. Olhei para Mariana, que me observava, e falei:

— Acho que Yulssef teve problemas com os japoneses… mas é bem esperto. Acho que não preciso me preocupar.

Ela forçou um sorrisinho, mas estava distante. Começou a comer devagar, os olhos baixos. Observei cada gesto, cada movimento.

A forma como segurava o garfo. Como olhava ao redor, desconfiada. Como evitava mencionar o que realmente sentia. Ela tinha regredido. Estava mais frágil. Mais vulnerável.

O sangue latejava em minhas têmporas. O ódio subia calado, perigoso. Eu podia sorrir, brindar, fazer promessas doces. Mas por dentro, uma tempestade crescia. Alguém ousou encostar nela. E eu ia descobrir quem. Ia rasgar a pele desse desgraçado, fio por fio, até que implorasse pela morte.

Por enquanto, sorri.

— Está gostoso?

Ela assentiu, mordendo um pedaço da batata.

— Está perfeito — disse baixinho.

Segurei o copo de água, mas meus olhos estavam fixos nos dela. Porque mesmo sem dizer… eu sabia que estava inquieta.

.

Mariana

.

Yulssef está com minhas irmãs. Essa frase não saía da minha cabeça. Ecoava como uma sirene, me paralisando por dentro. Se eu contar pro Ezequiel… ele vai machucar as duas.

Fechei os olhos por um instante, mas tudo o que vi foi a imagem que Yulssef me mostrou. A foto, a ameaça. Minhas irmãs presas, com medo. Aquele olhar suplicante da Iris. A expressão fria da Soraya, tentando ser forte por ambas.

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