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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 52

Capítulo 52

Ezequiel Costa Júnior

Fiquei ali, parado, olhando pra Mariana com aquele vestido... algo me pegou de surpresa. Era como um déjà vu. Um lampejo estranho na memória.

Fiquei em silêncio, tentando entender. Mariana, então, sentou-se na cama com aquele jeito meigo que só ela tem e disse, sorrindo:

— Que legal! Provavelmente você comprou pro papai-noel, então. Deveria ter me contado desde o início.

— Eu comprei? Porque eu compraria? Não faz sentido.

— Você me disse que o conhece. Deve ter ajudado no fim das contas.

Não entendi muito bem, nem porque não comentei isso com ela antes, mas ao olhar pra ela agora, isso não era importante.

Me aproximei devagar, sentindo uma onda estranha de paz no meio da confusão que é o meu mundo.

— Você tá linda — falei, deixando minha mão tocar de leve os cabelos dela. Me aproximei mais, aspirando o perfume que vinha da sua pele. — Isso tudo é pra mim?

Ela assentiu, tímida, mas firme:

— É sim.

Dei uma risada baixa, sincera:

— Que bom... porque eu já estava começando a ficar com ciúmes. Inclusive, fiquei feliz que a doutora tenha saído hoje, as vezes tenho ciúmes dela com você.

— Não precisa — ela respondeu, os olhos nos meus. — Eu não vejo mais ninguém como vejo você. Muito menos a doutora.

Essas palavras me atravessaram como uma flecha certeira. O peso de todas as complicações que travei se dissipou por um instante. Me inclinei, beijei seu rosto com calma, e como ela não recuou, beijei sua boca.

Foi doce. Perigoso. Um daqueles beijos que te puxam pro abismo e fazem você esquecer de onde veio.

Percebi que se eu ficasse mais um segundo ali, ia perder o controle. Me afastei, lutando contra mim mesmo.

— Vamos jantar — falei, num tom mais grave. — A mesa já está posta.

Ela sorriu e concordou com a cabeça. Saímos do quarto devagar, lado a lado.

Quando estávamos nos aproximando da sala de jantar, abaixei um pouco a cabeça e murmurei no ouvido dela:

— Ah... esqueci de te contar. O Aaron me disse que o Yulssef foi torturado pelos japoneses. E parece que todo mundo ficou sabendo que ele... ficou de bunda pra fora. Que pena, não é?

Mariana soltou um sorriso, tentando esconder a risada.

Eu também sorri, satisfeito por vê-la leve. Era isso que eu queria: ver essa mulher sorrindo mais do que chorando.

Servi o prato dela com calma, atento a cada gesto. Era uma das poucas coisas que eu ainda fazia sem pensar — como se cuidar dela fosse uma ordem antiga que meu corpo lembrava, mesmo quando a mente falhava.

— Alguns costumes não mudam mesmo — ela comentou com um sorriso, observando meu cuidado. — Antes, você também me servia.

Olhei pra ela por um instante e sorri.

Nos sentamos, mas antes mesmo de começarmos a comer, notei algo fora do lugar.

— Aquilo é... a Raquel? — Mariana perguntou baixinho, os olhos seguindo a figura atravessando a sala com um óculos escuro enorme, completamente deslocada no ambiente.

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