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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 53

Capítulo 53

Ezequiel Costa Júnior

O jantar estava ali, na minha frente, cheiroso, bem servido. Mas parecia tudo meio sem gosto. Meu garfo mexia o prato mais do que levava à boca.

Não era a comida. Era ela.

Mariana estava sentada a poucos passos de mim, com os cabelos soltos e um vestido que dançava sobre os ombros como se fosse feito de vento. Ela não precisava fazer esforço algum pra me prender — bastava existir.

Ela levantou os olhos do prato e encontrou os meus, pela terceira vez. Dessa vez, falou.

— Ezequiel... tá tudo bem? Você parece inquieto.

Endireitei a postura e fingi um sorriso contido.

— Tá tudo bem, sim. — Pausei. — Só... cansado.

Ela não acreditou muito, mas assentiu devagar, como se me deixasse escapar — por enquanto.

Terminamos o jantar em silêncio. Um silêncio bom. Ela ajudou a levar os pratos e depois subimos. Passamos por corredores grandes demais pra um casal tão calado.

Assim que entramos no quarto, fechei a porta devagar. Tranquei.

Tirei a camisa primeiro, deixando cair perto da poltrona. Comecei a desfazer o cinto e olhei por sobre o ombro.

— Vou tomar um banho.

Ela estava sentada na beirada da cama, me olhando. Como se tentasse decorar cada linha do meu corpo. Não disfarçava, nem piscava.

O olhar dela me atravessava. E ao invés de me deixar desconfortável, me prendia mais ainda. Era como se dissesse, em silêncio: “Eu te vejo. E gosto do que vejo.”

Não comentei nada. Só fui até o banheiro e deixei a água cair no corpo, tentando controlar o que não dava mais pra controlar.

Quando voltei, envolto apenas numa toalha, parei na porta.

Ela já estava deitada. Mas dessa vez... sem roupa alguma, apenas uma camisola transparente que fez minha mente aguçar.

Os olhos estavam bem abertos, atentos, vivos e desafiadores.

O lençol cobria só até o quadril, mostrando os seios bonitos que apareciam levemente através da transparência. O cabelo solto moldava o travesseiro, e a expressão dela era clara como o luar entrando pela janela:

Hoje, eu não vou dormir tão cedo.

Parei ali por um instante. Só pra absorver o que aquele momento queria dizer.

Depois deixei a toalha cair no chão e caminhei até ela.

Mariana não disse nada de imediato. Apenas se virou na cama, como quem se ajeita — ou quem procura por algo. Ou alguém.

Por mim.

Os olhos correram discretos até me encontrar parado, nu, à beira da cama. A ponta dos dedos roçou o lençol, como se chamassem. Mas ainda sem um gesto direto. Discreta, quase tímida.

Mas aquele quase me destruiu.

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