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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 56

Capítulo 56

Mariana Bazzi

Ainda ouvia o som do coração dele. Forte, quente, vivo. Era como um abrigo onde eu podia, enfim, descansar.

Fiquei ali, de olhos fechados, sentindo o calor do corpo do Ezequiel colado ao meu. Ainda estava dentro de mim. Ainda me preenchia — e não era só o corpo, era algo que ia além. Uma presença. Um cuidado. Um amor que me envolvia de um jeito que eu nunca achei que fosse possível.

Por tanto tempo, homens foram para mim sinônimo de ameaça. O simples toque de um deles já bastava pra minha pele se retrair, meu estômago embrulhar, minha mente entrar em estado de alerta. Eu dizia que não precisava de ninguém. Que era mais forte sozinha e talvez fosse verdade... por um tempo.

Mas agora, deitada sobre o peito de Ezequiel, com o coração dele batendo calmo sob minha orelha, eu percebia que aquilo não era fraqueza. Era entrega, era escolha.

Passei a mão devagar por sua costela, sentindo a pele úmida, o cheiro dele misturado ao meu. Sorri, mesmo com os olhos ainda fechados. Sorriso tímido, quase assustado, como se eu estivesse provando pela primeira vez algo sagrado — e tivesse medo de quebrar.

— É tão bom estar contigo assim... — murmurei, quase sem pensar. Como se meu corpo dissesse antes de mim.

E quando ouvi a resposta dele, algo em mim se dissolveu. Aquelas palavras... "Contigo, tudo parece certo." Eu quis acreditar. E pela primeira vez, a voz dentro de mim — aquela que sempre gritava "corre", "foge", "não confia" — se calou.

Fui sincera com ele. Contei da minha dificuldade em querer alguém. Sempre era medo, obrigação, fuga. Nunca tinha sido desejo puro, vontade real. Mas com ele... com o Ezequiel, era tudo diferente. Ele não invadia, não exigia. Ele me oferecia espaço, me oferecia segurança. E eu... eu finalmente estava aceitando.

Ele tocou meu rosto com tanto cuidado. Como se eu fosse feita de vidro, mas não do tipo que quebra — do tipo que é preciosa. A mão dele sobre o peito, dizendo que eu estava segura ali dentro, fez meus olhos arderem. Não chorei, mas quase. O que senti foi maior que as lágrimas.

Me agarrei a ele. E pedi, com medo do mundo, com medo de mim mesma:

— Não me solta...

E ele prometeu que não. E eu acreditei.

Pela primeira vez em muito, muito tempo... eu me permiti amar. Me permiti ser tocada sem dor. Desejada sem medo. Viver sem fugir.

E ali, com Ezequiel me envolvendo, percebi que a androfobia não venceu.

Eu venci dessa vez.

.

Depois que Ezequiel acordou e trocamos alguns beijos sonolentos, ele desceu pra preparar o café. Disse que queria me mimar. Que hoje eu não ia levantar da cama sem um café na bandeja. Sorri, fingindo que aceitei contrariada, mas meu peito estava leve. Leve e cheio.

Aproveitei o momento de silêncio no quarto, vesti uma roupa e caminhei pelo corredor até o quarto da doutora Samira. Ela estava sentada na poltrona, lendo algo no tablet. Quando me viu na porta, arqueou a sobrancelha com curiosidade.

— Posso entrar?

— Claro, Mariana. — Ela fechou o tablet e apoiou as mãos sobre os joelhos. — Está tudo bem?

Me sentei na beirada da poltrona à frente dela e respirei fundo antes de dizer:

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