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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 57

Capítulo 57

Ezequiel Costa Júnior

Levei a bandeja com calma, equilibrando o café, frutas e pão fresco que pedi para prepararem cedo. Enquanto caminhava, meu olhar não desgrudava da porta do quarto. Mariana. Só o nome já fazia alguma coisa no meu peito relaxar... ou se acender, dependendo da hora.

Quando entrei, ela estava sentada na cama, os cabelos bagunçados, já vestida, mas o corpo coberto pelo lençol e aquele sorriso tímido nos lábios. Sorriu ao me ver e eu senti meu peito se abrir, como se tudo lá dentro ficasse em paz só porque ela estava ali, daquele jeito.

— Bom dia, dorminhoca — falei, com um meio sorriso.

Ela riu e estendeu as mãos pra bandeja.

— Isso é mesmo pra mim?

— Cada detalhe. Você não sai dessa cama até eu mandar. Hoje será do meu jeito.

Ela corou, e eu só queria me sentar ali e esquecer o resto do mundo. Mas o mundo não esquecia de mim.

Beijei a boca dela com carinho, como quem sela algo importante, e fui até o escritório. Bastou abrir a porta pra saber que algo estava errado. Yulssef estava lá, encostado na mesa, com pastas abertas por toda parte. Uma expressão dura no rosto.

— Que merda é essa? — perguntei, já cansado antes mesmo de ouvir.

— Isso tudo aqui... — ele gesticulou com o braço — são documentos que você precisa ver. Cadê os relatórios das garotas? Você não disse pra onde levou as últimas. E mais, ontem estava com uma das putas. Rindo, brincando como se fosse sua esposa.

Minha testa franziu na hora.

— Que porra você tá dizendo, Yulssef? — até agora guardei calado até descobrir tudo que ele está fazendo. Mas estou a ponto de perder o controle.

— A Mariana. — O nome saiu da boca dele como se cuspisse veneno. — Aquela mulher é do cassino. Uma qualquer. Uma puta que você comprou. E agora trata como se fosse sua noiva? Já esqueceu que disse que nunca ia casar? Que ia ser como o seu pai? Você tá fazendo tudo errado, Don.

O sangue ferveu antes que eu pensasse. Dei a volta na mesa num pulo e agarrei o pescoço dele com força, empurrando contra a parede. A expressão de surpresa no rosto dele só aumentou minha fúria.

— A Mariana não é nenhuma puta! — rosnei, apertando ainda mais. — Ela foi vendida pelo próprio pai, seu desgraçado! Vendida! Se voltar a falar assim dela, eu quebro tua cara!

Ele arfava, os olhos arregalados, as mãos tentando soltar meu braço. Por um instante, pensei em não largar. Mas soltei. Deixei que ele caísse ofegante contra a parede, tossindo, o rosto vermelho.

— Seu pai deve estar se revirando no caixão — cuspiu Yulssef. — Está fazendo o contrário do que deveria. Era pra você estar comprando, maltratando, fodendo e vendendo essas mulheres. Não se apaixonando. Você tá perdido, moleque. Vai falir, vai foder com tudo.

Fechei os punhos. O nome do meu pai queimava na boca dele como veneno.

— Isso é problema meu, porra! Às vezes acho que ele nem era meu pai.

Yulssef parou. E aí ele riu. Riu com gosto, como se tivesse previsto isso.

— Eu sabia que essa hora ia chegar. Me preparei.

Ele apontou para as pastas sobre a mesa.

— Olha os documentos. Certidões, exames, laudos. Eu sabia que essa mulher ia inventar coisa pra te prender no meio das pernas dela. Mas a verdade tá aí, Ezequiel. Teu pai era mesmo teu pai. E você está fazendo tudo ao contrário.

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