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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 62

Capítulo 62

Mariana Bazzi

Eu nem sabia que o coração podia doer tanto só por olhar. Mas doía. Doía como se tivessem me furado com cacos de vidro enquanto eu fingia que aquilo não estava acontecendo. Só que estava. Estava bem diante dos meus olhos.

Sara entrou como se ainda pertencesse àquele lugar, ou melhor, a Ezequiel. Como se os dias que passaram, as cicatrizes que o Don deixou, não significassem nada. E o pior? Ela foi direto até Ezequiel, se jogando nos braços dele como se o tempo nunca tivesse passado. E ele... ele não a afastou.

Fiquei paralisada. Aquilo não era justo.

“É só um abraço”, repeti para mim mesma, tentando encontrar um sentido, uma desculpa, qualquer coisa que amenizasse a angústia no peito. Talvez ele só estivesse surpreso. Talvez quisesse manter as aparências. Talvez… talvez nada.

Meu maxilar travou quando vi os dedos dela escorregarem pelo braço dele, como se o corpo dele ainda fosse território dela. E ele permitiu.

Ele se virou para mim pouco depois, como se tudo estivesse bem.

— Mari, vai descansar um pouco, tá bom? Eu preciso conversar com a Sara.

Meu corpo congelou por um segundo, abri bem os olhos, levantando as sobrancelhas.

— Conversar? — repeti, como se a palavra me soasse estrangeira. — Com ela?

— É importante, meu anjo. Só uns minutos — disse ele, como se aquilo fosse suficiente para justificar qualquer coisa.

Assenti com a cabeça, mas não me mexi. Não consegui. Quando ele foi para o escritório, ao invés de ir para o quarto como ele sugeriu, sentei no sofá da sala e fiquei ali, estática. Meus olhos não desgrudavam da porta do escritório fechada. Cada minuto parecia um golpe, cada silêncio uma traição.

O tempo passou devagar, cruel, e quando a porta abriu, vi primeiro Ezequiel. Ele parecia sério, mas... vulnerável. E então, Sara, com aquele ar satisfeito, colada a ele como uma sombra pegajosa. Ela passou o braço pelo dele com naturalidade, e ele... deixou. Não a afastou.

Por segundos, ele aceitou aquele toque, aquele gesto que era nosso. Meu e dele.

Senti o sangue ferver.

Levantei num impulso, o coração aos gritos, o orgulho esmigalhado no chão.

— O que é isso?! Vocês acham que eu sou o quê? Uma figurante nessa história?

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