Capítulo 66
Mariana Bazzi
— Eu sou o Don, Mariana. Isso não vai mudar. Eu vou ter que conversar com a Sara, com a Raquel, com qualquer mulher que for necessária. Não é sobre você. Não é pessoal. Vai precisar aprender a lidar com isso.
Ele se aproximou ainda mais, e encostou uma mão na parede atrás de mim. Eu tremi, mas ele nem me tocou. Só me cercou com a presença dele.
— Você acha justo querer que eu dispense todas as mulheres só porque você se sente insegura? Isso não é sobre o seu transtorno. Isso é ego. Você tá querendo que o mundo gire ao seu redor — disse ele, com a voz firme, mas não agressiva. — E eu tô tendo paciência. Eu não sou como os outros homens que você conheceu.
Meu peito apertou.
— Eu não te prendo, não te forço, não te machuco. Eu te dou espaço, te escuto. E, mesmo assim, você continua agindo como se eu fosse igual a eles.
Minhas lágrimas escorreram sem que eu percebesse. Porque no fundo… ele tinha razão.
— Sabe o que me deixa mais frustrado? — ele continuou, a voz falhando um pouco pela primeira vez. — É que eu escolhi você. De todas. E você ainda acha que pode duvidar disso.
Ele se afastou um pouco, passou a mão no cabelo molhado pela umidade, e murmurou:
— Você quer que eu seja único pra você? Ótimo. Mas o que você me dá em troca? Você vai ser única pra mim também? Vai me entender, me apoiar, ser minha dama de verdade? Ou vai continuar fugindo cada vez que eu fizer algo que você não entende?
Eu engoli em seco.
— Eu… eu só tive medo.
Ele riu baixo, sem humor.
— Eu sei. Mas medo não justifica tudo. Você tá cruzando uma linha que não é sua. Querendo controlar o que eu faço, quem eu vejo, como eu comando. Não é assim que funciona com o Don.
As palavras dele eram duras, mas verdadeiras. E o pior é que elas doíam porque vinham de um lugar de franqueza, não de crueldade.
— Ezequiel… — sussurrei, me aproximando um passo. — Eu tô tentando.
Ele me olhou com os olhos cansados, mas ainda intensos.
— Então para de fugir. Para de achar que todo mundo vai te destruir. Eu tô aqui e não vou embora. Mas você tem que escolher se vai ser minha parceira ou meu problema.
Minhas pernas tremiam. Mas, finalmente, meu coração entendeu.

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