Entrar Via

Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 67

Capítulo 67

Ezequiel Costa Júnior

Mesmo com Mariana adormecida, minha cabeça continuava alerta. Me sentei no escritório, ainda sentindo o cheiro dela nos dedos, o gosto do beijo, e também da discussão no fundo da garganta. Ela era um furacão. Um que eu mesmo decidi deixar entrar.

Fiquei no escritório degustando um bom vinho, até ouvir batidas na porta.

— Pode entrar — falei, quando ouvi a porta abrindo.

Mauro entrou primeiro. Sara veio logo depois, os olhos atentos, como se lessem tudo ao redor.

— Precisamos falar — disse Mauro, direto ao ponto.

— Ótimo. Eu também.

Fiz um gesto para que ambos se sentassem.

Sara cruzou a perna com naturalidade, Mauro apoiou os cotovelos nos joelhos.

— O que tem pra mim? — perguntei, encostando na cadeira.

Mauro puxou o celular, desbloqueando com a digital.

— Recebi de uma fonte confiável que Yulssef está comprando duas moças novas. Pode ser tráfico, pode ser fachada. Os nomes ainda são incertos, mas ele tá agindo como se ninguém estivesse olhando. Só que eu tô olhando.

Franzi o cenho.

— Eu não soube de nada disso. Devíamos ter sido informados antes.

— Achei melhor confirmar antes de te trazer. Mas se o nome dele tá envolvido, é coisa séria.

— Certo. Quero vocês dois nisso. Levantem tudo. Vínculo, movimentações, intermediários. E se descobrir que tem alguém do nosso lado facilitando… vocês sabem o que fazer.

Eles assentiram.

Sara apoiou o queixo na mão, me encarando com uma expressão diferente. Uma mistura de dúvida e provocação.

— E o que pretende fazer com as irmãs da Mariana?

A pergunta me pegou de surpresa.

— Que irmãs? Porque eu faria algo? Pedi pra Yulssef procurar por elas, mas até agora nada.

— As duas que você mandou segurar pouco antes do acidente — ela respondeu, como se eu estivesse blefando — Iris e Soraya.

Inclinei o corpo pra frente, os olhos fixos nela.

— Eu não mandei nada, Sara.

Ela pareceu medir minhas palavras antes de continuar.

— Foi você sim. Me chamou pouco antes do acidente. Pediu pra manter as duas em observação. Disse que precisava de tempo antes de expor a Mariana ao passado. Que tinha dúvidas a respeito das duas. Fiz conforme pediu. Venho cuidando delas num lugar separado. Um lugar que só eu e você conhecemos, mas já estou me irritando de ficar indo lá.

Senti um peso no estômago. Eu não lembrava disso. Não da forma como ela disse.

— Tem certeza?

— Absoluta. Eu mesma fui buscá-las, e cheguei a tempo, porque Yulssef havia amarrado as duas. Estão em um dos apartamentos. Já verifiquei bastante. Estão limpas. Nada que indique envolvimento com o antigo círculo do pai delas. Nada que represente ameaça pra Mariana. Posso liberar?

— Eu paguei por elas? — indaguei.

— Claro. Usou sua influência, porque tentaram levar as duas quando apresentou Mariana pra elas, mas nossos homens encontraram.

Minha mandíbula trincou. Eu andava com a mente tão turva, lidando com Yulssef com o ataque, com ela... Que talvez tivesse feito isso em modo automático. Precaução, instinto.

— Me leva até elas.

— Claro. Mas só se Mauro for também. — Ela deu de ombros. — Sabe como é... garantia de que o Don não tá perdendo a cabeça.

Revirei os olhos.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Aquela que o Don não pôde deixar partir