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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 69

Capítulo 69

Sara

Tudo aconteceu rápido demais. O cheiro de pólvora queimava minhas narinas, e meus ouvidos ainda zumbiam de tantos disparos. Estava agachada atrás de uma poltrona virada, respirando com dificuldade. Minhas mãos tremiam um pouco, mas eu ainda segurava firme a arma. Eu estava pronta para atirar…

Então tudo ficou em silêncio. Todos os tiros cessaram de repente.

Meus olhos varreram o ambiente. Nada. Nenhum movimento. Um erro fatal de confiança cresceu dentro de mim — e eu me levantei, achando que o pior já tinha passado.

Bang!

Senti a pancada no lado esquerdo do abdômen antes mesmo de ouvir o disparo. O ar fugiu do meu peito e tudo girou. Caí de joelhos, e então no chão, senti o gosto metálico da dor invadindo minha boca.

Não consegui nem ver de onde veio, mas alguém me puxou com força, rapidamente.

Ouvi a voz dele antes de conseguir abrir os olhos por completo.

— SARA! NÃO FECHA OS OLHOS! — era o Aaron.

Ele me arrastou para trás de um móvel maior, protegido, e se levantou com a arma na mão, os olhos furiosos.

— EU JÁ VOLTO!

Mal tive tempo de protestar. Ele correu como um raio, atirando em alguma direção que não consegui ver. O sangue escorria quente pela minha cintura, encharcando o tecido da minha blusa. Eu tentava manter os olhos abertos, mas a dor me distraía, me puxava para longe.

Instantes depois — que pareceram horas — ele voltou.

— Não achei o filho da puta — rosnou, ajoelhando-se ao meu lado. A raiva em seu rosto se misturava com um pânico que eu nunca tinha visto nele.

— Aaron, estou bem. Pegou de raspão — murmurei, com dificuldade.

Ele me olhou de novo e respirou fundo, passando o braço por trás de mim com delicadeza, mas firmeza.

— Shh… você vai ficar bem. Você foi incrível, entendeu? Mas agora deixa comigo.

— Eu… obrigada — sussurrei sem entender.

Ele me pegou no colo com cuidado, como se eu fosse feita de vidro.

— DOUTORA! — gritou. — CADÊ A MÉDICA? ALGUÉM AJUDA! ELA TÁ PERDENDO SANGUE!

Acelerado, os passos ecoavam pelos corredores enquanto ele me levava pela casa. E naquele momento, mesmo com a dor me rasgando, eu percebi algo…

Ele estava desesperado.

A doutora Samira chegou correndo assim que Aaron gritou por ajuda. Tinha sangue escorrendo pela minha cintura e as mãos dela foram rápidas, precisas, experientes.

— Foi de raspão, pegou mais músculo do que órgão — disse com firmeza. — Mas ainda sangra muito. Vou precisar estancar e fazer um curativo aqui mesmo.

Ela limpava, costurava, pressionava, e eu apertava os dentes tentando não demonstrar dor. Aaron, ao meu lado, parecia querer fazer mais, mas estava visivelmente perdido.

Logo Ezequiel voltou na sala, analisando o ambiente com o olhar de quem já viveu guerra demais.

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