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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 75

Capítulo 75

Ezequiel Costa Júnior

(Contém gatilhos)

Eu estava a poucos quarteirões de distância quando Mauro ligou. A voz dele estava tensa, mais do que de costume.

— Don, o genitor da Mariana apareceu no cemitério e causou alvoroço.

Senti o sangue gelar.

— E Mariana? Ela está bem? — perguntei, mesmo já sabendo a resposta.

— Ezequiel... ela entrou em choque. Samira está com ela, tentando ajudar, mas está difícil, venha logo!

Não esperei mais nada. Desviei o carro, pisando fundo no acelerador. Em minutos, dobrei a esquina do cemitério e estacionei ao lado do carro delas. Foi quando a vi.

Mariana estava curvada na entrada e ao me ver correu na minha direção como uma criança fugindo do escuro.

Quando a trouxe para o carro, ela parou ao lado do veículo, suando frio, pálida como nunca. Vomitava e tremia, os olhos vazios e perdidos. A doutora Samira a segurava pelos ombros, e as irmãs falavam algo que ela nem ouvia. Me aproximei rápido.

— Mariana! Calma, eu estou aqui — a envolvi nos meus braços.

O corpo dela estava gelado. As mãos cerradas com tanta força que suas unhas rasgavam a própria pele. Parecia em pânico.

— Já passou, meu amor. Eu tô aqui — murmurei, mas ela só tremia, com o rosto escondido no meu peito.

— O que aconteceu? — perguntou Iris, chegando perto. — Por que ela ficou assim? Por que...?

— Despertou um gatilho, — disse a doutora Samira, com o rosto fechado. — Esse homem... ele é o trauma dela. Um trauma que talvez nem vocês saibam.

Soraia franziu a testa.

— Mas ele é nosso pai. A gente também sofreu... mas a Mari... ela tá...

— Não se compara, — Samira cortou, séria. — O corpo dela lembra de coisas que talvez a mente tenha bloqueado. Isso aqui foi um choque profundo. E ela precisa de segurança, agora.

— Eu posso ficar com ela — disse Iris, tentando se aproximar.

— Não, — falei firme, levantando Mariana nos braços. — Todos, afastem-se. Eu vou cuidar dela.

Elas hesitaram, confusas, mas meu olhar bastou. As três recuaram, mesmo que com relutância.

— Mauro, cuide de tudo. Leve todas pra casa. Qualquer sinal daquele homem, faça com que desapareça do mapa. Está proibido de pôr os pés, com sua figura nogenta aqui— rosnei.

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