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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 76

Capítulo 76

Ezequiel Costa Júnior

(Contém gatilhos)

A raiva queimava em mim como uma chama viva, e cada palavra que saía da boca de Mariana era mais lenha nesse fogo. Meu maxilar travado doía, os punhos cerrados no lençol da cama enquanto ela se encolhia entre os travesseiros, a voz fraca, destruída.

Ela me olhava como quem busca ar no meio de um naufrágio, e era meu dever ser essa tábua de salvação.

— Eu não consegui me defender dele. No início não entendi tudo o que aconteceu, só senti dores, repulsa, desespero.

— Me conta tudo, Mariana. Desde o começo... o que aconteceu lá no cemitério? — perguntei, baixo, mas firme.

Ela respirou fundo, os olhos avermelhados da dor que não era só física, mas uma ferida aberta na alma. Foi me contando sua infância, e a raiva foi subindo cada vez mais.

— Eu fui até o túmulo da minha mãe. Queria ver, só isso. As meninas viram alguém mexendo na lápide. Eu fiquei um pouco afastada quando vi quem era. — A voz dela falhava. — Ele me olhou como antes, Ezequiel. Como se ainda tivesse controle sobre mim. Como se meu corpo ainda fosse dele... Eu perdi o controle.

Engoli em seco. Cada sílaba que saía da boca dela era uma facada em mim.

— Ele disse coisas que trouxeram lembranças. E sorriu, como se... como se eu fosse uma lembrança boa. Aquele sorriso nojento, de quando ele me levava pro quarto dos fundos ou aos bastidores daquele maldito cassino... Me senti suja, fraca outra vez.

Fechei os olhos por um instante. Só um. Porque não podia me dar ao luxo de fraquejar agora. Enquanto Mariana falava, sem que ela visse, alcancei meu celular no bolso e comecei a digitar para Mauro com a outra mão:

“Encontre o desgraçado. O pai da Mariana. Quero ele no galpão, hoje. Inteiro. Sem polícia, sem barulho. Entendeu?”

A resposta veio segundos depois:

“Sim, Don. Já estou em movimento.”

Bloqueei o aparelho e o deixei de lado. Mariana precisava de mim inteiro agora.

— Ele nunca mais vai te olhar assim — prometi, voltando a me concentrar nela. — Nunca mais. Ele vai pagar por cada maldito segundo que te tirou. E você nunca mais vai se sentir suja, ou fraca. Porque você não é.

Ela começou a chorar de novo, e não resisti. Deitei ao lado dela, puxando seu corpo pro meu, envolvendo-a com meus braços como se pudesse protegê-la até dos próprios pesadelos.

Beijei o topo da sua cabeça.

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