Capítulo 83
Ezequiel Costa Júnior
Andei a passos rápidos até o jardim. Meus olhos bateram direto naquela cena maldita: Aaron estendido no chão, meu cachorro praticamente deitado sobre ele, também baleado. Não pensei, não hesitei.
— Mauro! — gritei, sentindo o gosto metálico da adrenalina na boca.
Ele veio correndo, arma em punho, os olhos arregalados.
— Pode puxá-los que te cubro! — berrou, tomando posição e começando a disparar contra os invasores que tentavam se aproximar.
Me atirei no chão sem pensar, puxando primeiro o Aaron pelos braços. O cachorro, mesmo ferido, rosnou quando mexi nele, mas reconheceu que estávamos do mesmo lado.
Puxei os dois com esforço, até atrás do portão lateral. Mauro segurava a linha de fogo como um louco, e senti o cheiro de Avelar que surgiu de algum canto, se juntando à guerra. A cada disparo, pedaços da fachada da casa se desfaziam. Vidros estouravam. O inferno tinha descido aqui.
Tranquei a porta quando conseguimos entrar, minhas mãos tremendo. Não dava tempo de avaliar os ferimentos, só de respirar por um segundo antes de Mauro gritar:
— Tem mais vindo pela frente!
— Consigliere maldito! Vou destruí-lo! — Rosnei.
Recomeçamos a troca de tiros. A casa, nossa última defesa, começava a ruir, mas nós não. Enquanto Mauro e Avelar limpavam os corredores, eu me movia como podia, entre as sombras, tentando manter a cobertura.
Puxei a 357 ainda completamente carregada e atirei com precisão em casa alvo que aparecia, derrubando um a um.
— Andar de baixo eliminado — respirei até lembrar que Mariana estava em cima — Ah, porra!
Vi dois carros arrancaram em fuga pela frente da propriedade. Vi o ódio e o desespero nos olhos de Mauro.
— Samira também está lá em cima — Mauro falou como se lesse meus pensamentos.
— Avelar, vai atrás deles! AGORA! — gritei. Ele assentiu e saiu sem pensar duas vezes.
Mas eu já estava correndo com Mauro e os soldados. Subi as escadas como um louco, coração martelando, suando frio. Mariana, Sara, Samira. As meninas. Onde estavam? Cada degrau era um soco no estômago.
No corredor do segundo andar, o tempo parou.
— Não…
O corpo de Raquel estava caído ao lado da parede, o sangue se espalhando rápido demais ao redor dela. Ao lado, Sara — os olhos arregalados, a mão tremendo para segurar a arma.
Me ajoelhei, a garganta travada.
— Sara…? — minha voz saiu falhada, cheia de urgência.
Me ajoelhei ao lado dela, com o coração batendo como um tambor desgovernado. Toquei seu ombro, seus braços, procurando algum sinal de perfuração, sangue fresco, qualquer coisa. Ela arfava, assustada, mas não havia ferimentos visíveis além da cicatriz recente de raspão da cintura, uma lembrança da última invasão.
— Você não foi atingida… — murmurei, sentindo a tensão soltar um pouco o laço em minha garganta.
Ela tentou se levantar devagar, gemendo.

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