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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 96

Capítulo 96

Mariana Bazzi

O carro deslizava pela estrada com suavidade, mas minha mente estava longe dali. Eu não conseguia parar de olhar para o anel no meu dedo. O anel da mãe dele. Era bonito, delicado, mas tinha um peso que ia além do valor material. Representava algo que ninguém mais poderia contestar: agora era oficial. Eu era a mulher de Ezequiel. A futura esposa do Don.

De vez em quando, eu olhava para ele, ali ao volante, com o maxilar firme e a expressão serena. Ezequiel estava em paz, e de alguma forma, isso acalmava a tempestade que Soraya e Raquel haviam provocado em mim. Não bastava amar, era preciso confiar, e eu confiava.

Os dedos de Ezequiel estavam entrelaçados aos meus, e mesmo em silêncio, ele transmitia uma segurança que me acalmava por dentro.

— Tá muito calada. — ele comentou, os olhos na estrada.

— Tô absorvendo. — sorri de lado. — Você fez tudo parecer tão... definitivo.

— Porque é. — ele apertou minha mão levemente. — Não existe mais espaço pra dúvida.

Voltei a olhar para a aliança. Eu não sabia muito sobre sua mãe, mas saber que ele me deu algo tão simbólico, tão íntimo... era mais do que palavras podiam traduzir.

Quando estacionamos em frente à casa, respirei fundo. A sensação de estar voltando pra “casa” era diferente agora. Eu voltava como noiva oficial do Don. O ar parecia mais denso, e os olhares dos guardas se ergueram imediatamente ao ver Ezequiel saindo do carro.

Assim que entramos, encontramos minhas irmãs na sala. Soraya estava em pé, encostada na parede, com os braços cruzados. Iris sentada, folheando uma revista. As duas levantaram os olhos ao mesmo tempo.

— Meu anjo — Ezequiel falou, com aquele tom que só ele conseguia usar pra soar doce e autoritário ao mesmo tempo. — Vem aqui comigo...

Me aproximei, o coração acelerado. Ele estalou os dedos, e em poucos minutos todos os funcionários apareceram: cozinheiros, seguranças, faxineiros, jardineiros... até mesmo os motoristas.

Ezequiel me puxou delicadamente pela cintura, me colocando ao lado dele como se eu sempre tivesse pertencido àquela posição. Ergueu minha mão, exibindo a aliança com orgulho.

— Esta é Mariana. Minha noiva e futura esposa. — Sua voz ecoou imponente. — Quero que todos saibam disso. Quero respeito com ela.

Houve um burburinho de surpresa e admiração. Eu pude ver alguns sorrisos se formando, mas Ezequiel não deu tempo para mais reações.

— A partir de hoje, vocês a tratarão como tratam a mim. Com respeito, com atenção. Ela vai administrar parte da casa e, eventualmente, assumir funções dentro da Zion Triade.

— Vai ter casamento logo, então cuidem da casa com o dobro de cuidado. E lembrem bem: ela é a mulher do Don. E ninguém toca na mulher do Don.

Ele levou minha mão até os lábios e beijou o anel, com um carinho que quase me desmontou ali mesmo. Uma onda de aplausos surgiu, tímida no início, mas foi ganhando força. Me senti tremendo por dentro, mas mantive a postura. Eu era a mulher dele agora.

— Já volto — ele disse baixinho, inclinando-se até mim. E antes de se afastar, sussurrou: — Mostra a essas cobras que você não tá aqui de favor.

Soraya me lançou um olhar enviesado, Iris sorriu de leve, surpresa. Eu ergui o queixo, respirei fundo e deixei que o brilho do anel dissesse tudo por mim.

Então Ezequiel saiu, e foi só ele se afastar para Soraya deslizar até mim.

— Uau, maninha... você está deslumbrante. O anel é lindo — elogiou, mas o tom levemente irônico não passou despercebido. — E importante. Parabéns!

— Obrigada — respondi, seca.

Iris se aproximou e apenas assentiu, em silêncio, como se pressentisse o que estava por vir. Foi quando Soraya deu um passo a frente:

— Vem aqui comigo um minutinho? Você e a Iris... — disse com falsa doçura, nos puxando discretamente para um canto do corredor, como quem não perde a oportunidade de causar desconforto.

— Que foi agora? — perguntei, desconfiada. Não conhecia esse lado dela. Soraya parece diferente demais do que eu me lembrava.

Ela abaixou um pouco a voz, como se quisesse parecer confidente:

— Acabei de saber de uma fofoca. A Luciana me contou. Parece que a Valéria era o grande amor da vida do Ezequiel... — Ela inclinou a cabeça como se estivesse preocupada — Você não se sente... ameaçada?

Eu pisquei, tentando manter a calma, mas foi impossível. O sangue ferveu.

— Soraya, você por acaso está cega? — levantei a mão, com o anel brilhando sob a luz do lustre. — Vê isso aqui? Isso é um anel de noivado. Da mãe dele. O tipo de coisa que você só dá pra alguém que ama de verdade. Que escolheu.

Ela se calou, surpresa com a firmeza da minha voz.

— A Valéria ficou no passado. E não é você, nem a Luciana, nem ninguém que vai me fazer duvidar do que eu tenho com ele. Se a intenção era me abalar, perdeu seu tempo. Agora, se quiser mesmo ajudar, fica calada. Porque eu não vou mais tolerar sua inveja disfarçada de preocupação.

— Eu só queria... — ela começou, mas parei com um gesto.

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