Francine entrou na loja puxando Malu pelo braço, ainda rindo de alguma piada que só as duas tinham achado graça.
— Essa vitrine tá gritando meu nome — disse, sem nem disfarçar o entusiasmo.
Malu tropeçou num tapete mal esticado logo na entrada.
— Tá gritando seu nome, mas seu cartão vai chorar, Francine!
Elas mal haviam dado dez passos para dentro da loja quando Francine parou abruptamente.
O sorriso sumiu do rosto.
Os olhos fixaram em um ponto fora da vitrine.
Dorian.
Ele estava ali. Na calçada. Exatamente no lugar onde ela tinha passado.
Francine congelou por um segundo.
Depois, agarrou Malu pelos ombros e praticamente a jogou entre duas araras lotadas de vestidos longos.
— Malu, se abaixa pelo amor de Deus!
— Que isso?! Tá louca?!
— É ele!
— Quem?
— O ele, Malu. O chefão. O dono da mansão. O... Dorian Villeneuve em carne, osso e linho italiano!
Malu arregalou os olhos, já se enfiando entre os cabides.
Francine espiou por uma fresta entre os vestidos de paetê e viu Dorian parado na calçada, olhando ao redor com o cenho franzido.
Procurando algo. Procurando ela.
— Ele viu a gente? — cochichou Malu.
— Acho que não... ainda. Mas se ele entrar aqui, eu vou fingir ser um manequim.
Malu segurou o riso com a mão.
Francine a cutucou:
— Isso não é hora de rir! Esse homem é mais perspicaz que qualquer detetive de filme americano.
Dorian deu mais alguns passos.
A vitrine da loja, iluminada pela luz do sol, refletia a rua, o céu, as pessoas — mas não mostrava quem estava lá dentro.
Dorian permaneceu parado por mais alguns segundos, olhando em volta para tentar encontrar ela entre as centenas de pessoas andando naquela calçada.
A única certeza que ele tinha era a mais irritante de todas: ela tinha desaparecido de novo.
Ele franziu o cenho, o maxilar travado, o terno impecável começando a colar levemente nas costas com o calor da calçada.
Soltou um suspiro seco, irritado com tudo — com a cidade movimentada, com a vitrine sem transparência, com o próprio instinto que o tinha feito saltar de um carro em movimento como um adolescente obcecado.
Pegou o celular no bolso, discou rapidamente.

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