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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 17

O banho quente fez pouco para relaxar Dorian.

Mas bastou para restaurar a fachada — o olhar frio, o andar preciso, o terno impecável mesmo dentro da própria casa.

Na sala de jantar, tudo seguia seu ritual: mesa posta, luz baixa, louça em silêncio.

Os funcionários mantinham o mesmo padrão de distanciamento que ele sempre exigiu.

Ele sentou-se sozinho, como sempre.

Não perguntou nada. Não agradeceu.

Apenas levantou o guardanapo com um movimento mecânico e começou a refeição como se estivesse num piloto automático de luxo.

A conversa com Cássio tinha surtido efeito.

As horas de trabalho intenso, reuniões e relatórios tinham funcionado como anestesia.

E agora ele se sentia de volta ao controle.

Mas era só aparência.

Porque, entre um gole de vinho e outro, Dorian voltava à busca silenciosa: a mulher do baile.

Enquanto mastigava, imaginava formas de refazer o caminho.

Quais rostos passaram por ele? Quais vozes? Qual gesto poderia ter denunciado algo?

Cada vez que uma porta se abria, ele erguia os olhos.

E sempre abaixava em seguida, voltando ao prato como se nada tivesse acontecido.

Era um jogo de esconde-esconde onde ele nem sabia se ainda queria encontrar… ou apenas continuar procurando.

Enquanto isso, Francine estava jogada na cama como se o colchão fosse seu único aliado no mundo.

De pijama e cabelo preso no alto da cabeça, balançava um pé no ar, nervosa.

Malu, na cama de baixo do beliche, mexia no celular enquanto ouvia.

— Mulher, que sufoco! — sussurrou Francine, como se até as paredes pudessem dedurar.

Malu deu uma risada abafada.

— Cara, ele tá tão na sua!

Francine virou de lado, encarando a janela.

— Que maluco obcecado! Eu sabia que Dorian era excêntrico, mas nunca imaginei que ele seria tão... obstinado. Tô por um fio. Mais um passo em falso e ele junta as peças.

— Agora não adianta chorar, meu amor. Devia ter pensado nisso antes de seduzir o patrão. — Malu respondeu com a ironia de quem já tinha avisado desde o começo.

— Sério, amiga?

Francine assentiu, os olhos marejados, mas firmes.

— Sim. E sabe o que é pior? Eu me acostumei. Aprendi a sorrir sem mostrar os dentes, a dançar com o vestido certo, a beber o drink certo... Mas no fundo, eu era só mais um rostinho bonito alugado por algumas horas.

Malu subiu até a cama dela, sentando ao lado com cuidado.

— Mas o Dorian...

— Pra caras como ele, um rosto bonito é só isso: um rosto bonito. Hoje ele está obcecado, amanhã ele volta a ser quem sempre foi. Frio. Prático. Eu conheço esse tipo. Já entrei nessa mansão como empregada. E sei muito bem como saem as que “cruzam a linha”.

Ela fez aspas com os dedos, amarga.

— Eu estaria na rua antes do café da manhã. E dessa vez, sem nenhuma chance de recomeçar. Sem carreira, sem formação, sem experiência e sem um lugar para morar.

Malu apertou sua mão.

— Mas... e se você conquistar ele de verdade?

Francine soltou um riso triste.

— Aí é que tá, né? E se?

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