O som do relógio de parede marcava 7h.
O sol invadia os corredores da mansão com a mesma sobriedade dos móveis antigos — luz fria, controlada, sem calor.
Dorian ajustava os botões da camisa enquanto caminhava em direção à escada.
O rosto sério, o cabelo impecavelmente penteado para trás. A mente, como sempre nos últimos dias, longe dali.
No lado oposto do corredor, Francine surgia com uma pilha de roupa de cama nos braços, equilibrando lençóis e fronhas como se aquilo fosse suficiente para esconder o próprio rosto — não era.
Os passos deles se cruzaram no centro da escada.
Ele descendo para o café. Ela subindo com o uniforme impecável, postura reta, expressão neutra.
Nem um bom dia.
Silêncio.
Mas no exato instante em que os corpos se desencontraram, a voz dela — firme e baixa — escapou, como se falasse sozinha:
— É só conquistar ele...
Dorian parou por um segundo no meio do degrau, sentindo a frase ricochetear nas costas como se fosse uma provocação calculada.
Mas não se virou.
Ela também não.
Dorian se sentou à cabeceira da mesa, como de costume.
Os olhos, atentos, percorriam cada uma das mulheres que entravam e saíam da sala com movimentos treinados.
A jovem que repunha o suco. A outra que trocava a travessa do pão. A mais velha que organizava os talheres.
Três dias.
Três malditos dias desde o baile.
E ele ainda não tinha certeza se estava obcecado com um fantasma ou apenas... cego.
Começava a se perguntar: Será que ela nem era uma funcionária? Será que estava certa em dizer que aquela foi uma oportunidade única?
Mas então, no meio daquele raciocínio frustrado, uma ideia simples — e óbvia — brilhou como um estalo.
O nome.
Ele já sabia o nome da mulher da revista.
Francy.
Bastava cruzar com a lista de funcionários da casa.
Se o nome dela estivesse ali, não havia mais dúvida. Era ela.
E se não estivesse... bem, talvez ele finalmente tivesse que aceitar que foi feito de idiota.


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