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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 16

Dorian entrou no escritório feito um furacão de terno escuro.

O calor da cidade, somado ao gosto amargo do próprio orgulho ferido, parecia colar na pele feito cola.

— Boa tarde, senhor Dorian... — tentou dizer a recepcionista, mas ele já tinha passado direto, com passos duros, expressão de quem estava pronto para comprar uma guerra.

Cássio, do outro lado do vidro, olhou a chegada do amigo e já previu que a tarde ia ser longa.

— Se perguntar qualquer coisa, ele morde. — murmurou para a secretária.

Dorian jogou a pasta em cima da mesa, soltou o paletó na cadeira e nem chegou a sentar.

O celular vibrou. Ele olhou com desdém — mais uma interrupção — mas atendeu assim mesmo.

— Villeneuve.

A voz do outro lado da linha era feminina, polida, experiente.

— Senhor Dorian! Que bom falar com o senhor. Aqui é Cláudia, gerente do Studio Vega Models. Imagino que esteja ocupado, mas queria retornar sua ligação de hoje cedo.

Dorian apertou os olhos, lembrando da primeira ligação mais cedo, quando tentou arrancar alguma informação e bateu num muro de protocolos.

— Fale, Cláudia. Estou ouvindo.

— Fiquei sabendo que o senhor estava interessado em informações sobre uma de nossas ex-modelos. A Francy. Francy Moreau. Lembra?

Silêncio.

Claro que ele lembrava.

— Sim.

— Não vou negar que fiquei surpresa... ela sempre foi um pouco... temperamental, digamos assim. Difícil de lidar, mas linda como poucas. Embora tenha saído da agência sem muita cerimônia...

— Por que ela saiu? — cortou ele, direto.

Cláudia hesitou. A voz agora era mais cuidadosa.

— Ela não se sentia confortável com a forma como alguns clientes selecionavam os trabalhos... A Francy queria algo mais “sério”, sabe? Passarela, catálogo... Mas a demanda pelo perfil dela costuma ser outra, se é que o senhor me entende.

Dorian entendeu. E não gostou.

Sentou-se na cadeira devagar.

— E vocês não tentaram oferecer o que ela queria?

— Tentamos. Por um tempo. Mas ela não era... flexível. Uma pena, o rosto dela era ouro. Um desperdício.

Dorian não respondeu.

Cláudia, percebendo o silêncio carregado, decidiu encerrar:

— Bom, se o senhor quiser que a gente tente contato... mesmo que informalmente... claro, de forma discreta...

— Não. — respondeu ele, seco. — Não preciso mais da ajuda da agência.

E desligou, sem se despedir.

— Senta e me arranja trabalho. Qualquer coisa. Uma planilha. Uma reunião. Até um problema de logística. Qualquer coisa que envolva gente com crachá e contrato.

— Então quer dizer que o feitiço virou contra o feiticeiro?

Dorian passou a mão pelos cabelos, frustrado.

— Só quero parar de pensar nela. Por trinta minutos. Será que é pedir demais?

Cássio não resistiu ao sarcasmo.

— Olha pelo lado bom: a anestesia do dentista passou. Sua boca já tá reta de novo. Tá até combinando com a cara fechada.

Dorian estreitou os olhos.

— Você quer me ajudar ou ser demitido?

— Depende, tem aumento de risco emocional incluso? Porque acompanhar esse surto romântico seu devia pagar adicional de periculosidade.

Mesmo irritado, Dorian soltou um meio sorriso — o primeiro desde o café da manhã.

— Me dá uma pauta, Cássio. Antes que eu te jogue pela janela.

Cássio abriu o notebook devagar, como quem saboreava o momento.

— Muito bem, Don Juan. Vamos ver se a gente acha uma planilha fria o suficiente pra congelar esse fogo no seu sangue.

Dorian se recostou, aliviado por alguns segundos de distração.

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