Dorian entrou no escritório feito um furacão de terno escuro.
O calor da cidade, somado ao gosto amargo do próprio orgulho ferido, parecia colar na pele feito cola.
— Boa tarde, senhor Dorian... — tentou dizer a recepcionista, mas ele já tinha passado direto, com passos duros, expressão de quem estava pronto para comprar uma guerra.
Cássio, do outro lado do vidro, olhou a chegada do amigo e já previu que a tarde ia ser longa.
— Se perguntar qualquer coisa, ele morde. — murmurou para a secretária.
Dorian jogou a pasta em cima da mesa, soltou o paletó na cadeira e nem chegou a sentar.
O celular vibrou. Ele olhou com desdém — mais uma interrupção — mas atendeu assim mesmo.
— Villeneuve.
A voz do outro lado da linha era feminina, polida, experiente.
— Senhor Dorian! Que bom falar com o senhor. Aqui é Cláudia, gerente do Studio Vega Models. Imagino que esteja ocupado, mas queria retornar sua ligação de hoje cedo.
Dorian apertou os olhos, lembrando da primeira ligação mais cedo, quando tentou arrancar alguma informação e bateu num muro de protocolos.
— Fale, Cláudia. Estou ouvindo.
— Fiquei sabendo que o senhor estava interessado em informações sobre uma de nossas ex-modelos. A Francy. Francy Moreau. Lembra?
Silêncio.
Claro que ele lembrava.
— Sim.
— Não vou negar que fiquei surpresa... ela sempre foi um pouco... temperamental, digamos assim. Difícil de lidar, mas linda como poucas. Embora tenha saído da agência sem muita cerimônia...
— Por que ela saiu? — cortou ele, direto.
Cláudia hesitou. A voz agora era mais cuidadosa.
— Ela não se sentia confortável com a forma como alguns clientes selecionavam os trabalhos... A Francy queria algo mais “sério”, sabe? Passarela, catálogo... Mas a demanda pelo perfil dela costuma ser outra, se é que o senhor me entende.
Dorian entendeu. E não gostou.
Sentou-se na cadeira devagar.
— E vocês não tentaram oferecer o que ela queria?
— Tentamos. Por um tempo. Mas ela não era... flexível. Uma pena, o rosto dela era ouro. Um desperdício.
Dorian não respondeu.
Cláudia, percebendo o silêncio carregado, decidiu encerrar:
— Bom, se o senhor quiser que a gente tente contato... mesmo que informalmente... claro, de forma discreta...
— Não. — respondeu ele, seco. — Não preciso mais da ajuda da agência.
E desligou, sem se despedir.


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