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Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo romance Capítulo 100

— Não estou entendendo nada do que está dizendo — Mark comenta, apoiando os cotovelos na mesa. — E quer saber? Também não quero me envolver. Mas, do fundo do meu coração, espero que você não faça nada daquilo que vai te deixar com peso na consciência depois.

Hector não responde de imediato. Apenas observa o movimento do restaurante, como se buscasse ali uma confirmação silenciosa das próprias intenções.

Minutos depois, os pratos são colocados sobre a mesa. Mark agradece ao garçom e, enquanto ajeita o guardanapo, volta ao assunto de antes, não resistindo à curiosidade.

— Agora, fala sério… o que você vai fazer em relação à Ava? — Mark pergunta, direto.

— Em relação a quê? — Hector desvia o olhar, fingindo desentendimento.

— Aos seus sentimentos, oras — insiste. — Você acabou de dizer que está gostando dela.

— Eu não vou fazer nada — ele responde, rápido, como se fosse a coisa mais simples do mundo.

— Como assim, nada?

Cruzando os braços, encara o amigo com seriedade.

— Escuta, Mark… uma coisa é eu admitir isso aqui, entre a gente, numa conversa de almoço. Outra coisa é chegar para ela e... sei lá, me declarar.

— E por que não?

— Porque só de pensar nisso já me dá vontade de rir — ele diz, com um meio sorriso, tentando disfarçar o incômodo. — Eu, Hector Moreau, me declarando? Parece piada.

Mark solta uma risada curta, mas logo volta a encará-lo com firmeza.

— Talvez seja exatamente isso que você precise fazer… parar de se esconder atrás desse ar de autossuficiente e falar o que sente de verdade.

Hector revira os olhos, tentando ignorar o quanto aquelas palavras o atingiram.

— Eu não fui feito para essas coisas, Mark.

— Não? Então me diga… por que é que tenho a impressão de que isso continua martelando aí na sua cabeça?

Sem desviar os olhos do amigo, ele revela.

— Eu só faria isso se ela fizesse primeiro.

— Como é? — Mark franze o cenho, sem esconder a surpresa.

— Isso mesmo que você ouviu — responde, com um meio sorriso. — Eu só vou me abrir se tiver certeza de que ela está apaixonada por mim.

— Ah, entendi… — Mark balança a cabeça, descrente. — Você quer ganhar o jogo, mas sem mover as peças.

— Não é jogo — rebate Hector. — É só que… eu não quero sair como o emocionado da história, me entende?

— Então, quer que ela se apaixone primeiro?

— Exatamente. Quero que ela venha até mim, que me escolha de verdade. Sem contrato, sem obrigação, sem pressão. Só… porque quer.

Em silêncio, Mark o encara por um segundo, depois solta um suspiro, apoiando os cotovelos na mesa.

— E se ela estiver esperando o mesmo de você?

Engolindo em seco, Hector desvia o olhar pela milésima vez. Pela primeira vez, parece sem resposta.

— Não sei… — diz, baixo. — Mas se for o caso… talvez a gente passe a vida inteira esperando um pelo outro.

Mark cruza os braços, sem conter um sorriso irônico.

— Dois teimosos orgulhosos. Isso vai ser divertido de assistir.

Recostando-se na cadeira, Hector passa a mão pela barba e solta um leve riso pelo nariz.

— Sabe o que é mais engraçado nisso tudo?

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