Já era hora do almoço e, com Ava fora de casa, Hector não sentia o menor entusiasmo em ir para casa comer. A simples ideia de sentar-se à mesa sem ela o incomodava mais do que poderia assumir. Então, decide procurar um bom restaurante.
No caminho, pega o celular e liga para Mark.
— Está livre para um almoço? — pergunta direto.
— Claro — responde o amigo. — Só me manda a localização.
Assim que chega ao restaurante e faz seu pedido, Hector vê Mark entrar. Levanta uma mão em saudação e o recebe com um aperto firme.
— E aí, como você está? — pergunta, tentando parecer mais leve do que realmente se sente.
— Cansado, mas bem, e você?
— Tentando ficar bem — Hector responde com um meio sorriso.
— Aconteceu alguma coisa?
Soltando um suspiro, Hector pensa por onde deve começar.
— Ultimamente, parece que tudo acontece ao mesmo tempo, na minha vida.
Revela, revirando os olhos, enquanto passa a mão pelo queixo, visivelmente desgastado.
— Não me diga que já está cansado da vida de casado? — Mark provoca, pegando o cardápio.
— Não é isso — ele rebate na hora, mas seu rosto o entrega.
— Então, o que é?
— Eu não sei — revela. — Há algo me incomodando, mas não sei te explicar ao certo o que é.
— Não sabe ou não quer? — rebate Mark.
Sem responder, Hector desvia o olhar e observa o local onde está com Mark. Apesar de ser pequeno, o restaurante está bastante movimentado.
— É que… eu me casei achando que teria o controle de tudo. Mas, quanto mais o tempo passa, mais percebo que a Ava é um furacão… e eu me sinto bem no olho dele.
Mark ri, mas não em tom de deboche. É um riso compreensivo.
— Bom, pelo menos você já admitiu que ela te desmonta. Isso já é um começo.
Apoiando os cotovelos na mesa, Hector volta a encarar o amigo à sua frente.
— Eu não sei se gosto disso — revela, passando a mão pela nuca, inquieto.
— Talvez você só esteja confuso porque ela desafia tudo o que você achava que sabia sobre as mulheres — Mark diz, com um meio sorriso.
O comentário paira no ar como um estalo. Um silêncio quase desconfortável se instala, e Hector não sabe o que responder. Seus pensamentos voltam, inevitavelmente, para Ava. Para o toque, para o jeito como ela reagia, para o que sentiram no escritório há poucas horas. Não era só físico. Ele sabia disso. E era isso o que mais o incomodava.
— Acho que estou gostando dela — solta de repente, sem sequer pensar duas vezes.
Mark, que ainda examinava o cardápio, levanta os olhos na hora. Fica um segundo em silêncio, esperando que Hector diga que é brincadeira. Mas a expressão dele… está longe de qualquer ironia.
— Você está mesmo confessando seus sentimentos para mim? — pergunta, ainda tentando entender.
— Não me olha assim, tá? — Hector bufa, claramente cansado. — Estou te dizendo isso porque você é a única pessoa em quem confio o suficiente para falar essas merdas.
— Ah, claro, eu… — Mark coça a cabeça, perdido. — Eu estou surpreso, confesso. Nunca imaginei que veria o grande Hector Moreau tão vulnerável.
— Não começa a tirar sarro — retruca Hector, revirando os olhos.
— Não estou tirando sarro — Mark se corrige rápido. — É só… novo. Mas me diz uma coisa: quando é que você chegou nessa conclusão?

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