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Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo romance Capítulo 109

Assim que entra em seu quarto, Ava evita o espelho. Sabia que, se olhasse para o próprio reflexo, sua versão do outro lado a julgaria, por ter passado a noite toda com Hector.

— Oh, céus… eu não quero pensar em mais nada — sussurra, abrindo o guarda-roupa em busca de algo apropriado para sair.

Uma das poucas coisas de que gostava naquela casa era o fato de ter, desde sua chegada, acesso a diversas peças de roupas novíssimas. Hector havia providenciado tudo: roupas, sapatos, bolsas e acessórios, como se quisesse que ela sentisse que sempre pertenceu àquele lugar.

Claro que não funcionou muito bem, já que muitas ainda estavam com etiquetas penduradas, como se gritassem que nada ali era, de fato, dela. Ainda assim, não podia negar: o homem tinha bom gosto. Tudo era elegante, sofisticado e, curiosamente, combinava com ela.

Graças àquilo, nunca precisou voltar à antiga casa para buscar suas coisas. Mas sabia que, mais cedo ou mais tarde, teria que encarar o que deixou para trás. E quando esse momento chegasse, nenhuma etiqueta ou vestido bonito seria capaz de blindá-la da realidade que vinha adiando há tempo demais.

Quando termina de se arrumar, pega o celular sobre a cômoda e, ao acender a tela, sente o corpo estremecer.

Uma nova notificação.

Por um instante, pondera ignorar, mas seu instinto grita mais alto. Com os dedos trêmulos, desliza a tela e lê a mensagem:

“Os resultados dos seus exames chegaram. Te aguardo às 9 em meu consultório.”

Engolindo em seco, sente a respiração acelerar. Não era como se não estivesse esperando por aquilo, ela sabia que mais cedo ou mais tarde a resposta viria, mas agora que estava ali, tão direta, tão próxima, tudo parecia ainda mais real… e assustador. Tinha medo de que o resultado não lhe trouxesse nem um pouco de esperança.

Olha para o relógio. Ainda dava tempo de sair sem cruzar com ninguém.

Com o coração apertado, pega a bolsa, respira fundo e caminha até a porta com passos apressados, tentando parecer despreocupada. Mesmo que por dentro, estava desmoronando.

Quando chega ao hospital, mantém o rosto levemente abaixado, evitando os olhares curiosos que, volta e meia, ainda recaíam sobre ela. Não era paranoia. Desde que seu nome voltou aos holofotes, por conta do escândalo e do casamento relâmpago com Hector Moreau, sua vida parecia não lhe pertencer mais.

Caminha pelos corredores com passos apressados, segurando firme a alça da bolsa como se aquilo pudesse lhe dar alguma força. A cada porta que passa, repete mentalmente como uma prece:

“Por favor, que eu não encontre o Mark. Por favor, por favor…”

A chance de se deparar com o amigo de Hector naquele lugar é grande e a certeza de que ele poderia comentar alguma coisa com Hector era bem alta.

Quando chega na recepção da ginecologista, sente-se aliviada.

— Bom dia, senhora Ava, como está? — pergunta a mulher com um sorriso gentil.

— Bom dia! Me sentirei melhor quando a doutora responder todas as minhas perguntas — responde.

— A doutora Hills já está te esperando. Pode seguir até a sala dela, por favor.

De repente, Ava começa a sentir borboletas revirarem em seu estômago.

Com um último olhar para o corredor — ainda vazio, graças a Deus —, segue pelo caminho indicado. Quando para em frente à porta da sala, respira fundo antes de bater.

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